sexta-feira, 22 de julho de 2011

Jake Leg

essa banda awesome, Baroness, alem da musica boa, tem umas capas ridiculamente bem desenhadas e as musicas tem uns nomes assim bem "nada a ver" q vc nao sabe de onde veio.

as vezes isso nao quer dizer nada, as vezes quer dizer que tem muitos motivos simples por traz dessas coisas, motivos as vezes difíceis de ver ou pesquisar.

mas de vez em quando eu pesquiso sobre as coisas, e quando é musica é muito difícil achar algo, dessa vez foi o contrario. e essa é uma das coisas que quando você começa a pesquisar é levado a varias outras informaçoes, pra finalmente entender todo o contexto, ou entender ate onde voce quiser:


Jake é como se chama nos estados unidos a Jamaica Ginger, extrato de gengibre jamaicano, e era vendido como uma patent medicine, bem, patent medicine, eu tive que ir atrás, é aquele velho remédio enrrolativo que se vê em filme de velho oeste, e de onde provavelmente surgiu o aquele tipo de anuncio de vendedor de rua que seu produto cura tudo e deixa mais bonito e forte e tudo, que é só balela. curiosamente, esse nome, patent medicine, é uma inverdade, os 'remédios' nao eram patenteados, tinha apenas a marca registrada. patentear obviamente revelaria segredos ou falcatruas dos remédios.

a época dessa bebida é o século 19, época onde aconteceu nos estados unidos a lei seca, e coincidentemente jamaican ginger continha de 70% a 80% do seu conteúdo de etanol. e por isso que agora chamo de bebida, era vendida como medicina, mas parecia uma boa forma de escapar da lei seca e beber o seu de todo dia.

então, jake não era algo perigoso, mas o governo também o reconheceu como uma forma de burlar a lei seca, e impôs alterações na formula, que deixavam a bebida ruim. dois caras então, conseguiram desenvolver uma formula adulterada que passasse nos testes do departamento de agricultura mas mantivessem a bebida palatável. só que a substância que eles estavam usando para adulterar a formula, que pensava-se nao ser tóxica, na verdade é uma neurotoxina.

em 1930, apenas 3 anos antes do fim da desastrosa lei seca [coisa q eu sei por dois motivos, primeiro, nao vingou, segundo, Boardwalk Empire, HBO] uma grande quantidade de consumidores de jake começaram a perder o uso das mãos e dos pés, como diz no artigo do wikipedia q a este ponto eu estou apenas traduzindo,  algumas vitimas conseguiam andar, mas não possuíam mais o controle dos músculos que normalmente permitiam que apontassem os dedoes do pé para cima. assim para andar primeiro eles levantam a perna mais alto, com os dedoes do pé apontando pra baixo, e estes seriam a primeira parte do pé a tocar o chão, seguido do calcanhar [o oposto do que fazemos normalmente ao andar]. e começaram a chamar a forma de andar de jake walk, e dizer dos afetados que o que eles tinha era jake foot, jake leg, ou jake paralysis.

e é envolta desse assunto que o tema da música se estabelece.
a letra:


Jake leg!
Steal this wine away
Flay me
Underneath the brine

Running away
Through the sick and the pure
"Mind your feet!" lest they firmament tread

Crawl past the soft
Spiraled sinewy teeth
"Soiled dove!" steal the fruit of it's jaws

Lady!
Keep those hounds at bay
Feed me
The fruits of Avalon

The body's a vessel
The hands find a cure
"Flesh is weak!" and my lip needs a meal

Weak in the knees
And you're wet on the floor
"Ace of staves!" we will dance evercome

terça-feira, 19 de julho de 2011

lixo nas calçadas

estou cansado do lixo nas calçadas do recife. os recifenses nao querem resolver problemas, eles evitam os problemas. assim, recife poderia ser uma grande cidade, mas está populada de porcos que fogem de problemas.

há lugares que voce entende que não se importem com o lixo, os prédios, que nao devem nada a ninguém a nao ser quem está dentro do prédio. mas os prédios tem uma lei eu acho que os obriga a guardar o lixo em algum lugar no prédio, então pelomenos os novos tem um espaço com uma grade na sua parte desinteressante da fachada pra acumular o lixo.

prédios antigos como o meu guardam o lixo mas no fim do dia o colocam na rua pra o caminhão pegar. tem um prédio na minha rua inclusive, que é o mais nojento, que ocupa sua calçada já suja com lixo de um lado a outro, e o lixo desse prédio fede incrivelmente. e há prédios como os que eu citei, que estão de acordo com alguma lei ou algo que se passa por um bom costume, ele tem um grande muro cinza, e nesse muro uma grade que dá acesso a o local onde guardam o lixo, o lixo desse prédio nao só fede abissalmente como tem a habilidade de sempre liberar chorume, que escorre pela calçada, perto da parada de onibus. isso é no começo da rua do futuro.

mas os prédios são as construções mais egoístas, e os recifenses fogem dessas coisas. então, andar no recife é difícil; é quente, as calçadas são ruins, a sinalização é ruim, a segurança é ruim, então como os recifenses andam de carro nessas áreas, eles nao veem mais o lixo que seus prédios poem nas ruas.

o que me assusta mesmo é o NACC do recife, na rua do futuro também, que eu sempre uso para voltar pra casa a noite, depois do trabalho. na minha imaginação um lugar que se chama núcleo de apoio a criança com cancer é aquele lugar de pessoas boas preocupadas com o bem estar de criancinhas e tal, então você imagina bons cidadãos, e voluntários que parecem tao altruistas e nao cobram nada pra ajudar as pobres criancinhas com cancer. mas no final do dia o NACC poe a sua montanha de lixo na frente do prédio, e foda-se a calçada.

eu não sei se eu devia ver essas duas características separadas, a preocupação com crianças e a preocupação em colocar o lixo em algum lugar melhor que a calçada, mas pra mim faz parte da mesma preocupação de ser uma pessoa melhor, ou algo assim. me parece escroto vc cuidar das crianças com cancer e nao cuidar da sua cidade. é como ver um professor de escola dar uma aula sobre como o cigarro é ruim e depois ir fumar, ou como se um voluntario do NACC saísse de la depois de trabalhar e jogasse um papel de bombom no chão. você nao espera isso dessa pessoa.

em segundo lugar no meu top de lugares escrotos é o el Chicano, assim do topo da minha cabeça. o el Chicano é um bar que poe seu lixo na frente do bar, na calçada que a galera usa pra comer e beber, porque o bar poe mesas do lado de fora também. e eu lembro que o el chicano tinha um problema com esgoto, uma fossa, algo assim, e eles resolveram o problema, depois de um certo tempo, mas o lixo que fede e incomoda visualmente e atrapalha o caminho da mesma forma que o esgoto eles continuam pondo na frente do bar.

esse é muito irônico, porque eles estão querendo ganhar dinheiro ali, é isso que eles fazem, pagam uma de mexicano com cervejas de outros países pra vc gastar seu dinheiro lá, tem todo um investimento em ambientação e fachada, nao um investimento muito grande mas ainda assim um investimento, e na frente do bar eles poe todo dia um desinvestimento, o lixo. mas ai eu penso, que os recifenses nao se importam. porque o bar continua lá firme e forte, e as pessoas continuam indo.então eles nao devem se importar de viver no lixo, nem os que cuidam de crianças com cancer, nem os que querem se embriagar.

minha imagem final das calçadas do recife é que devem ser um tapete de chorume, e pensando nisso as vezes eu tenho nojo do meu sapato e tiro ele antes de entrar em casa. mas quando eu esqueço, como hoje, eu entro de sapato, eu devo ser meio recifense também.


pensando nisso eu tenho que dizer que nunca vi lixo na frente do fiteiro ou do neno, nao sei onde eles botam, mas parecem esconder bem [acho que o neno poe do outro lado da rua].

quando não é lixo é outra merda na rua, como a merda propriamente dita de algum animal, ou arvores [nao que eu ache que deviam tirar as arvores, mas deviam ter calçadas mais largas] e postes [os postes deviam ser tirados] e calçadas que não existem, e etc. acho que esse é um dos motivos que não consigo me ater muito tempo a uma forma de transporte, ônibus demora, o transito é um caos pra carro ou moto, bicicleta tem que brigar com os carros, e pedestre nao tem onde andar. revezo os transportes pra não enjoar.

e é isso que tenho pensado ultimamente sobre nossa cultura, do recife, ou do brasil, que é disfuncional em vários níveis e sentidos. disfuncional no mobiliario urbano, nas prioridades, na cidadania, no ensino, etc.

eu também sou recifense e nao estou propondo soluções, só desabafando. eu ando no meio da rua mesmo.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Juliet, Naked de Nick Hornby

as vezes é difícil classificar um livro sem entrar nos detalhes, e dizer apenas "bom" não é suficiente. no caso de Juliet, Naked eu digo que é muito interessante, mas eu não leria uma segunda vez. recomendo que seja lido, mas não com muita prioridade na sua lista.

pelo que eu li, como sempre, de forma breve e incompleta, sobre o livro, elel é bem criticado e comparado a qualidade do primeiro livro de Hornby, High Fidelity, que eu também li e gostei muito. Nick Hornby me parece escrever para o tempo em que ele está. nesse livro a internet se apresenta como parte das vidas das pessoas, wikipedia, forums e emails, e tem importancia para o desenvolvimento das vidas dos personagens como tem hoje na nossa.

se Nick Hornby consegue representar a internet com essa crueza e realidade é porque isso faz parte de como ele percebe as pessoas hoje, no livro o uso da internet nao é uma alegoria ou uma ficção exagerada, mas uma parte das vidas dos seus personagens, como ir trabalhar, pensar e beber.
[ao contrario de por exemplo, Stieg Larsson, onde o mundo digital é explorado por uma super-hacker, ou do imaginário comum de filmes]

o livro segue das perspectivas de três personagens, Annie, Duncan e Tucker Crowe, onde Annie é a personagem principal. Juliet, Naked é o nome do unico album de sucesso do artista dos anos 80 Tucker Crowe, que sumiu misteriosamente durante a turnê do disco, e Duncan é um aficcionado com a obra do artista, se auto intitulando "crowologist" e "scholar" no assunto. Annie enquanto personagem principal não está ligada diretamente a esses elementos presentes durante todo o livro, ela é a mulher/namorada de Duncan, num relacionamento disfuncional de 15 anos e a curadora do museu da cidade, descrita desinteressante, onde moram, chamada Goleness.


no decorrer do livro, do ponto de vista de Annie e seus pensamentos e impressões são delineados os outros dois personagens e a arte de a graça do escrito de Hornby está na hora que ele muda de perspectiva, acompanhando outros personagens e seus pontos de vista, o que acontece sutilmente por todo o livro, mas especialmente no momento que ele passa ao ponto de vista de Tucker Crowe.
então o que um faz por acaso, o outro pode ver como ironia ou agressão, e o que é visto como um ídolo e um mistério pode se sentir um fracasso e viver numa situação completamente inesperada do primeiro ponto de vista.

a graça de ler, e talvez a graça do escrever para o autor é a analise de como cada pessoa vê uma mesma situação, e como elas pensam a respeito disso, dado que cada uma tem apenas uma pequena janela para olhar, ou apenas algumas cores passando pelas suas lentes [escolha a metáfora] e poucas oportunidades para tirar conclusões.


o autor também pára aqui e ali para analisar como funciona a sociedade hoje, tomando como ponto o album de Tucker Crowe. um album bem criticado porem que não fez muito sucesso e um artista misterioso fazem alguns fans ao redor do mundo, que em outra época talvez nunca se conhecessem. com a internet, qualquer fan de qualquer coisa pode encontrar seus iguais e assim se encontram os fans de Crowe nos forums para discutir a obra, interminavelmente diminuta para o que é uma idolatração de duas decadas. assim, qualquer objeto é idolatrado eternamente, e nunca esquecido, mas cultivado, o que é uma irritação de Tucker, que preferiria o esquecimento.

o livro acaba de forma abrupta, e um de seus assuntos também é um dilema humano, sobre o que é aproveitar a vida, o que é errar, o que é acertar e o que é que causa arrependimento, talvez um reflexo da maturidade do autor [ou maior maturidade, ou menor imaturidade] e sob esse ponto de vista, não é uma história com começo meio e fim, mas a historia do fim de um período de 15 anos onde aparentemente nada aconteceu na vida dos três personagens, e a descoberta que ainda da tempo de fazer coisas acontecerem, que causem orgulho, ou no minimo, menos arrependimento.

e sob esse ponto de vista o final é adequado ao livro, pois não cabe a ele contar essa segunda parte dessas vidas.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Californication Alternative Master Bootleg, Loudness War, opiniões

Esbarrei no Californication, de Red Hot Chilli Peppers, durante um shuffle da vida, e decidi parar pra ouvir, mais uma vez. Como é um hábito hoje em dia, aproveitei o momento para ler sobre o cd também. Felizmente o Californication é um album bem coberto no wikipedia, o que as vezes depende mais da banda que dos fanáticos que organizam a informação.

Nessa leitura descobri o termo Loudness War. "The loudness war or loudness race is a pejorative name for the apparent competition to digitally master and release recordings with increasing loudness." Então, o que vem acontecendo, "desde sempre" no que se trata de masterização, é que os albums são masterizados em volumes cada vez mais altos. De acordo com o artigo, a guerra começou com o CD, mas já acontecia com vinyl; como as jukebox tinham o volume predefinido pelo dono, o vinyl que viesse masterizado mais alto iria evidentemente chamar mais atenção.

No CD a consequência do aumento excessivo do volume é o clipping do sinal, o que quer dizer que parte da música foi perdida pois o volume máximo que poderia ser gravado já foi atingido. e o artigo continua de forma bem mais especifica a falar da situação.

Voltando a Californication, em resposta ao lançamento oficial extremamente alto existe um Californication Alternative na internet, essa versão é um bootleg que ninguem sabe de onde veio, mas que representa um estagio anterior ao produto final, onde as músicas ainda possuiam seu volume preservado. outras diferenças sao a ordem das músicas e a inclusão de outras músicas. Procurando por esse CD eu esbarrei na barreira da ironia, em um dos links que o google sugeriu, pessoas em um forum procuravam pelo Alternativo, mas só achavam uma versão de 192kbps.

Quem começa a andar pelas areas dos audiófilos sabe que existem estágios de qualidade da música, ou do sinal/gravação da música: Vinyl > CD e para arquivos digitais: Flac > Apple Lossless > mp3 320kbps [ou apartir daqui outra terminologia pra os mp3 que é V0 V1 e V2 > 192kbps. Isso quer dizer que depois do vinyl e do cd, e teoricamente do flac e do m4a [apple lossless] os formatos digitais recorrem a compressão do arquivo e a clipagem do som para diminuir o tamanho do arquivo. Então se você busca qualidade no som, não é num mp3 de 192kbps que você vai achar. 

Não é muito fácil achar esse album, encontrei somente num private tracker de audiófilos que frequento e decidi baixar. o que é irônico é que quase tudo que eu baixo nesse tracker eu me arrependo. como ele é private você tem q manter o ratio entre upload e download, e isso é muito difícil de fazer, então a cada download seu ratio piora um pouco. eu acabo baixando lá só o que é extremamente difícil de achar, e a maioria desas coisas escusas, são escusas porque você nao vai ouvir o tempo todo mesmo.

Mas falando do album agora, o som do Californication Alt é realmente bom, é nítido, limpo, claro, e mais adjetivos que significam quase a mesma coisa. os sons ficam mais distintos, os que devem ficar atras da música e os que se destacam e tudo, tudo no lugar. inclusive nao tem aquela voz bizarra no final de Right on Time / começo de Road Tripping que me perturba desde a primeira vez que ouvi esse cd.


Estranhamente, uma banda que eu achei bastante aberta pra falar sobre a vida e o processo de criação dos albums, abertura demonstrada pela quantidade de informação nas páginas do wikipedia, nao comenta sobre o grande debate da masterização de seus CDs. Muito embora normalmente eu nunca tenha visto alguém comentando abertamente sobre defeitos na sua produção de sucesso. Ninguém diz "esse cd da gente que vendeu um milhão de copias tem um defeito horrível aqui e ali mas foda-se" não rola.

Pra mim é importante ouvir argumentos em defesa do suposto erro de masterização, mas não há, inclusive, enquanto lia, mas nao li todo, o artigo sobre Loudness War percebi que a cobertura do assunto parecia vir apenas de críticos e sistemas de som de alta definição, claro que algo que não seja isso, como as pessoas e consumidores normais são coisas mais difíceis de atingirem a wikipedia por causa das regras de validade do material [deve ser algo publicado tantas vezes ou algo assim, uma opinião pessoal evidentemente nao conta e a massa provavelmente nao se importa com algo tão pequeno], enfim, com minha mentalidade de mercado formada no berço do design eu vejo motivos que tornam o volume excessivo na masterização um não-crime.

Não era somente por querer ouvir mais alto que as pessoas tendiam a escolher as músicas mais altas na jukebox, é por querer ouvir tudo. Todos que ja andaram pela cidade, pegaram um ônibus de fone de ouvido podem ter percebido que parte da música vai embora junto com o barulho do mundo. Então ouvir alto também é em certas situações a única possibilidade de ouvir tudo. Eu não acho que as jukebox são renomadas por um som perfeito [mas isso eu suponho é claro pois eu nao conheço as jukebox do passado].

Então em meio a poluição sonora, se uma faixa auditiva da música vai ser perdida a solução é aumentar o volume pra poder ouvir esses detalhes. Eu lembro que no terceiro ano havia um cd que eu escutava, e em certo momento uma parte da musica sumia no barulho da sala, uma parte exata e era muito interessante como simplesmente nao dava pra ouvir ela.

O problema em aumentar o volume em uma masterização "normal" é que a distancia entre os sons "baixos"
 e os "sons" altos vai ser muito grande, então você ouve os detalhes mas também fica incomodado com partes altas demais, e foi isso que senti durante uma caminhada que aproveitei pra ouvir parte do cd, pra poder ouvir tudo o volume estava me incomodando.

Então para mim o Clipping se torna uma parte importante de fazer a música escutavel pela maioria do publico que tem só um som meia boca, e é suficiente, voce aumenta o volume de tudo, no master, e rola um clipping, assim a distancia entre os sons é menor e você pode ouvir a musica sem ferir os ouvidos para entender os detalhes.

Pra finalizar com esse album, Californication, eu digo que entendo a diferença, até onde meu ouvido e meus fones permitem. Músicas como Road Trippin' ganham muito com o master normal, a nitidez colabora com o som acústico e a voz, mas para a maior parte do cd o volume excesivo e a sujeira resultante é benéfica pra mensagem e a estiga do album, e fica certamente mais decente de ouvir nas situações do dia-a-dia. mas para escutar em casa, no silencio e com toda a disponibilidade de volume, vale a pena ouvir o master alternativo.

No final, é uma questão de público. como o público consome aquele produto. eu dei uma olhada no artigo da wikipedia sobre o Stadium Arcadium também de Red Hot porque eu lembro que quando eu ouvi pela primeira vez eu achei o som estourado, com um feeling Californication. o masterizador dos dois albums é o mesmo, mas o Stadium Arcadium também foi lançado em vinyl, com outra masterização, outro masterizador, com níveis de volume normais. Assim, a oportunidade existe de obter as músicas da forma mais coerente com sua forma de ouvi-las. Para mim o lançamento do Stadium Arcadium em duas formas é o sinal de que talvez essa também seja parte da opinião da banda a respeito dos albums.


Pra terminar, eu não consigo separar de mim a sensação de estar me enquadrando um pouco a situação retratada em um dos personagens de nick hornby no livro Juliet Naked, na busca pelo som perfeito. mas minha busca é seriamente mais breve que a dele, e tropeça na minha noção que nao sou especialista em nada e não garanto nada do que digo alem de ser apenas a minha opinião sobre apenas aquilo que sei.




segunda-feira, 16 de maio de 2011

outro dia eu coloquei no facebook, no grupo fechado de uns amigos, que quem quizesse andar de moto ouvindo musica só iria conseguir se fossem eles mesmos que tivessem cantando a musica, dentro do capacete.

alguns entenderam, outros não, mas sabemos que o entendimento é uma coisa muito parcial, fragmentada, e que na verdade, nem palavras completas, para entendedores completos, bastam. quando eu disse o que disse, eu estava atacando uma concepção, um ideal, de alguns amigos, que me deixa embasbacado por inúmeros motivos.

esses meus amigos cultivam a ideia de quando fizerem quarenta anos comprarem uma moto harley davidson e fazerem uma road trip escutando metal. me impressiona essa vontade de se encaixar num estereotipo tao grande do "coroa", da harley davidson, road trips, e da vaga ideia de ouvir musica [metal, rock, como highway to hell] andando de moto.

pra começar, eu sei que existem motos com sistema de som, mas sério, é necessário? umas harleys inclusive tem som, mas elas sao enormes e carissimas, ainda mais aqui no brasil. depois, tem a coisa do capacete, que vai cobrir seu rosto, tem o barulho do motor e o barulho do cano escape, e isso tudo vai atrapalhar voce ouvir a musica. ainda, eu nao acho que é ideal andar de moto ouvindo musica, andar de moto é prazeroso mas tambem é um exercicio de atenção e de resistencia.

o principal ponto subtextual do meu argumento, se inclui aqui, pra mim o mais divertido é cantar dentro do capacete. o capacete gera uma acustica, e voce se ouve muito bem, e estar coberto pelo capacete pra mim é uma sensação de como estar no banheiro, é um solidao perfeita, ninguem te ouve [ou voce acha que ninguem te ouve] ninguem vê que você está cantando, e é divertido cantar dentro do capacete, da mesma forma que é divertido cantar fora, qualquer merda, só por cantar, como no chuveiro.

mas o principal ponto de verdade, que eu nao inclui no meu argumento no fb, é que andar de moto é uma coisa que nao se aprende de uma hora pra outra, mas eu nao culpo meus amigos de pensar assim. eu sei que é porque as coisas do ponto de vista de quem nao vivenciou, ou está de fora, parecem muito simples. andar de moto é um aprendizado constante, e é mental como é corporal.

outra coisa que tenho percebido é que quem viaja de moto não faz apenas uma viagem, mas varias. e deve levar varias viagens para ser um melhor viajante. repetir também é algo natural de quem gosta de fazer qualquer coisa, eu acho, entao quem gosta de viajar nao viaja apenas uma vez, mas varias.

eu penso em fazer viagens de moto, e eu penso numa grande viagem, mas eu estou começando a pensar em pequenas também, pra me preparar pra uma grande, e a moto que ando nem é minha.

sexta-feira, 25 de março de 2011

harry potter em as coisas podiam ser mais simples

estou terminando de ler harry potter and the prisioner of azkaban. eu já li uma vez. eu poderia terminar agora, mas decidi fazer uma pausa e comentar sobre algumas coisas.

eu gosto do jeito que rowling escreve, é bom de ler, mas ela caga o pau as vezes em como as coisas acontecem. pra começar o dementador é algo desumano, provavelmente é mais desumano que a maioria das torturas possiveis. uma sociedade sã nao se valeria desse tipo de ser como coluna principal do seu sistema carcerário.

em segundo lugar, no momento em que sirius foi preso a ação mais logica seria obter informações que possam levar a captura de mais seguidores de riddle, esse mundo de harry potter tem varias formas de se obter a verdade das pessoas; tem a invasao de mentes, introduzida por snape e riddle em determinado livro, tem as memorias que podem ser lidar na penseira, tem poçoes de verdade. provavelmente um mago poderoso pode falsificar essas coisas, mas um mago poderoso também pode saber o que é real e o que é falso. se invadir a mente de alguem para obter informação parece cruel, deixa-lo viver encarcerado com um dementador é mais.

então as coisas para serem criveis nesse mundo seriam muito diferentes. sirius nao seria preso porque veriam a verdade no seu cerebro e harry viveria com ele. se pode existir algo como o marauders map, feito por quem foi feito, o proprio dumbledore poderia ter um, e veria no primeiro livro que voldemort estava no castelo escrotamente na cabeça do professor lá.

terceiro, eu ainda nao compreendo completamente como funciona a ampulheta de voltar no tempo de hermione, mas se ela pode voltar uma vez ela pode voltar duas ou tres ou mais, se ela pode voltar para assistir aulas ela pode voltar para dormir, seria só um pouco mais complicado nao ser vista em varios locais simultaneamente, mas ela não estaria cansada e super atarefada, pq ela estaria voltando para viver nao só as aulas mas os estudos e o sono. inclusive para mim seria inteligente que ela corrigisse a sua data de aniversário refletindo o tempo que ela viveu repetindo horas.

quarto, as conversas ocorrem de uma forma que me irrita. são paginas e paginas de frases incompletas e gritos e etc antes de alguem dar uma informação. por exemplo, toda a cena dentro da shrieking shack seria diminuida drasticamente se a primeira oportunidade lupin transformasse scabbers devolta em humano, e isso seria suficiente para chamar a atenção de todo para o que estava querendo ser dito.

quinto, eu nao cheguei nessa parte ainda mas sei que peter pettigrew vai fugir. ao invez de amarra-lo, o que aparentemente ainda o deixa livre para se transformar em rato, era só usar petrificus totallus nele, e ele e transporta-lo como fizeram com snape. e mesmo que o matassem em shrieking shack, bastava novamente, todos que estiveram no local cederem suas memorias para serem vistas, se nao concordassem haveria mentiras.

sexto, se animagi são uma coisa tao séria, porque o castelo de hogwarts que é tao protegido contra varias coisas também nao tem uma proteção contra isso?

tem muitas coisas, não preciso listar mais, acho que inventando coisas demais o autor se perde de coisas mais eficientes ou contraditorias que já criou, e acontecem essas coisas. só me resta saber, ainda nao tenho certeza, se rowling se contradiz no seu partido em relação ao paradoxo do tempo ou não.

quinta-feira, 24 de março de 2011

homem pensa na hora do almoço

o homem sentou ao balcão do pequeno estabelecimento onde costuma almoçar. chama de almoço por aquilo que come, não pela hora que come. ele se questionou que, se ele fosse narrar essa ação, diria ele 'sentou no balcão' ou 'sentou ao balcão'? ele não se importa muito com esse tipo de coisa, ele diz 'no' quando é pra dizer 'ao', mas as duas formas estavam soando estranho, sabe, quando você fala na sua mente as palavras, as vezes até em voz alta, pra ver se sai de um jeito agradável.

o local era pequeno, uma cozinha, um balcão, umas mesas na rua. não dava pra ver ninguem na cozinha, mas a luz estava acesa. o homem se anunciou. todo dia, na hora do seu almoço, havia um momento de reflexão, sobre como endereçar as atendentes da lanchonete. ele só sabia, mais ou menos, o nome de uma atendente. o homem disse 'boa tarde', o que quase não era mais, em direção a cozinha, e uma moça, a mais nova das atendentes saiu. o homem hesitou, ele lembrou que tinha que pedir o cardápio.

a lanchonete era agradável e a comida era boa, mas o que ele sentiu nesse momento, é que seu específico problema de comunicação se dava ao fato das atendentes serem as cozinheiras, e não estarem sempre ao alcance de um contato visual, nem entendiam o contato visual que serve pra pedir alguma coisa num restaurante sem ter que chamar ninguem. o homem sentiu isso porque quando a moça se aproximou do balcão ela ficou esperando, e ele ficou esperando também. ele esperava que ela o oferecesse o cardápio, ela esperava que ele pedisse algo, incluindo o cardápio. para ele é normal que o cardápio estivesse ao alcance ou fosse entregado, sem ser pedido.

o homem pegou seu mp3 player e seus fones de ouvido e voltou a ouvir música. a música que estava ouvindo antes de se exercitar na academia. ele lembrou, uma vez na academia, seu treinador pediu pra ele escolher a música. ele não sabia o que escolher, assim na hora. mas ele também não escutava muito o tipo de música que se põe em academia, uma coisa mais popular, mais regional. ele levou esse pensamento pra casa, e concluiu que se fosse oferecida a oportunidade de novo ele iria por seu mp3 para tocar algumas músicas que ele gosta.

isso é delicado. ele não podia deixar no random [leia-se randóm], o random tem um mal costume de colocar músicas esquisitas na hora que outras pessoas estão ouvindo suas músicas. tinha que escolher um album. ele escolheu sawdust, de the killers. o album que ele estava ouvindo hoje, one armed bandit, de jaga jazzist, não é o tipo de coisa que seria bem recebida na academia. o homem pensou que é curioso como chamamos esse conjunto de músicas que é o album de cd, só porque vinha num cd, e continuamos de chamar de cd mesmo que escutemos nos mp3 players, que são chips, não cds. tem bandas que nem usam mais esse formato de album, pra lançar suas músicas.

outro homem chegou no balcão. a moça tinha acabado de por a mesa, o balcão, para o homem e voltou para a cozinha. de costas, a atendente não viu o outro homem chegar. o outro homem não via a atendente de onde estava. o outro homem deu três tapas na mesa para iniciar a conversa. o homem viu o outro homem e o achou esquisito. seu rosto, queixo retraido, bochechas flacidas, que combinam com o queixo retraido para estender as dobras que vem do nariz e passam pela boca, geradas por anos de risadas. sua barba branca com partes simetricamente pretas, o pescoço e barriga que concordavam com as bochechas.

para o homem, o outro homem já teve que solucionar o seu problema de como chamar atendentes, seu gesto, as tres tapinhas, no entanto, ainda nao parecia muito natural dele. para o homem estava faltando ao balcão o objeto que o outro homem deveria ter estapeado, um daqueles sininhos de recepção. o outro homem carregava na mao esquerda um pote. o homem após olhar para o rosto do outro homem, olhou para o pote que carregava. parecia um pote de mostarda, meio vazio. o outro homem disse para atendente 'pode bater isso aqui no liquidificador?' ela olhou para o que era isso aqui, e disse 'com água?' ele disse 'é' ela disse 'um copo só?' ele disse 'sim'. nesse momento o homem olhava para a interação. com o movimento do pote, o que ele via deixou de ser mostarda e virou um pó, e o pote era evidentemente um pote de geléia daquelas que alegam ser de outro país.

o homem percebeu um pequeno constrangimento do outro homem na forma que ele retornou o seu olhar. um pequeno constrangimento de quem esta se acostumando com a ação que o constrange, ou o homem estava só se colocando na situação do outro homem e depositando nele suas reações para o que ele vivia. o homem certamente ficaria constrangido de levar um pote de geléia com leite em pó para ser misturado com água na lanchonete. o homem evita esse tipo de coisa, de uma forma que ele tenta justificar por estilo de vida e decisões filosóficas. para ele isso faz sentido, mas quando estilos de vida diferentes se embatem, o estilo do outro é só um conjunto de caracteristicas bestas e estranhas, ele sabe disso.


o outro homem estava sentado em uma mesa. o homem estava gostando do que ouvia, sua música, do que comia, seu prato havia chegado, e do que bebia, seu suco. o homem refletia sobre como ele poderia naquele momento estar fazendo barulho ao mastigar, ou ao cortar com os garfos, ou por gostar da comida, ou com o canudo no suco, ou com o bater das pernas no ritmo da música. o homem prefere não emitir esses sons, mas como a música o inibia de ouvir se estivesse produzindo algum som, ele não estava preocupado. o homem ficou impressionado como o se importar depende do sentir.

o homem viu umas senhoras sairem da academia, que era do outro lado, o outro homem as cumprimentou quando elas passaram, para o homem a conversa era uma típica conversa de velhos contentes, e uma típica conversa en passant, sem conteúdo, e com conteúdo, mas só uma formalidade. as velhas senhoras sairam de uma dessas aulas de academia, que só velhos e mulheres, faziam, e que homens não faziam, porque só mulheres e velhos faziam. essa era a opinião do homem, e ele se percebeu detentor de varias opiniões, frágeis e sem fundamentos como ele as vezes julga que são as opiniões das outras pessoas, e que nenhuma delas lhe servia de alguma coisa. ele pensou que algumas coisas ele poderia sentir menos e pensar menos.

o homem terminou de almoçar e já havia escurecido. ele saiu e foi para sua casa a pé, no meio do caminho ele percebeu que a caminhada era boa e que a música era muito boa e desejou que sua casa fosse mais longe, para extender esse momento. mas a música também iria acabar eventualmente, e ouvir de novo não seria a mesma coisa que a primeira vez.

a internet é isso

os dois acabam de acabar o namoro, tem o walk of shame, q é o caminho que algum dos dois ex-namorandos vai percorrer da casa do[a] ex para a sua propria, n precisa ser uma walk, mas é um caminho triste, reflexivo. e de derrota, eu considero que é mais comum quem acabar estar na propria casa, e o acabado ter que sair.
pra mim isso é universal. o que não é universal, é a forma, semi poética, semi misteriosa e principalmente, semi incompleta[huhum], que as pessoas tendem a descrever suas emoções [não só nesse caso] nos novos meios de comunicação [a internet]. é uma forma de escrever de quem quer se expressar, quer informar, mas nao quer que todos saibam, porque há pessoas indesejadas na internet. esse é o verdadeiro newspeak, poucas palavras, pouco sentido, e pouco pensar [é facil escrever pouco e rápido].

a internet causa outras coisas também. mas era só isso que eu queria dizer.

sexta-feira, 18 de março de 2011

pyongyang 1984 harry potter etc

fui hoje na livraria cultura comprar harry potter 4 e 5 em inglês. recomecei a re-ler hp quando meu pai comprou essa edição nova da bloomsbury em inglês que está vendendo na secção infantil da livraria cultura. é quase em formato de bolso, capa fina, papel de jornal. a edição é designed por Webb & Webb Design, as ilustrações são de Clare Melinsky. essa edição está muito mais bonita que as outras de hp que já vi. as cores estão bem utilizadas, as ilustrações e a capa são boas e o livro parece leve, porque é branco. aquela edição comum que a gente ve aqui no brasil é muito mais pesada, em peso mesmo, pelo papel e pelo tamanho do livro, e na impressão, por causa da capa completamente coberta pela ilustração. essa edição valoriza melhor a informação.

nesta edição de harry potter os livros carregam grande unidade e ficam bonitos juntos. quanto a leitura, todas as informações que não são o miolo do livro estão antes da história começar. quando acaba não há paginas desviando a atenção da sua mente do desfecho da história para outras coisas, ou o proximo livro. tem umas paginas sobrando no caderno, o que eu também acho bonito, deixa rastros do processo de confecção de um livro, e ocupando todo o verso da contra capa tem uma foto de jk rowling. também gosto disso, afinal, vc não precisa saber quem é rowling, todomundo sabe quem é, se é pra mostrar, use a pagina toda, a informação está distribuida em outras áreas.

a edição que estou lendo de 1984 também é muito bonita, e é um pocket book. nesses livros da penguin e da bloomsbury sempre tem o nome do designer, ilustrador, designer da capa, typesetter e aonde foi feita a impressão. isso tudo é muito importante e é legal de ser colocado, e de ser facil de achar no livro.

na secção de pocket books em inglês na livraria cultura também tem um livro de philip k dick com uma capa sensacional, o isbn logo ao lado do nome do livro, bem minimalista e funcional, talvez um reflexo do que esta escrito dentro dele, uma ficção distópica, o que é o motivo também que me fez não o comprar. não queria ler dois livros distópicos, mais ou menos na mesma linha, um atrás do outro.


ai fomos na secção de quadrinhos, e estava pyongyang, um quadrinho de guy delisle. ele faz esses quadrinhos mostrando a vida dele em determinada cidade, que dá o nome ao quadrinho, eu lí shenzhen, e parece que tem um sobre burma. o retrato que ele faz dessas cidades tensas de se viver, e tão dispares da nossa cultura [que é a mesma que a dele] é muito interessante. e é um quadrinho facil de olhar e ler, agradável. mas eu não gosto de descobrir que o trabalho em animação é tão mecânico, impessoal, como ele retrata, eu preferia não ter descoberto isso.

guy delisle viaja para essas cidades para coordenar por determinado tempo desenhistas para produções internacionais. o broxante de conhecer o trabalho de delisle é descobrir que desenhos animados e animes que você pode estar vendo hoje podem estar sendo feitos de uma forma proxima a terceirização ou industria, e não é assim que você imagina uma obra grafica sendo desenvolvida. ele explica um pouco do processo mecânico, uma parte do desenho é feita pelos desenhistas oficiais, são as chaves do desenho, e o resto é preenchido por esses desenhistas nessas cidades horriveis como shenzhen na china ou pyongyang na coreia do norte.

é a produção industrial para algo que devia ser tão humano, e algo que você não espera de desenhos animados, que eles sejam feitos com mao de obra barata da china ou da corea assim como peças de computador ou carrinhos fajutos que voce compra em barracas. também vejo que é esse tipo de trabalho terceirizado de outro pais, que por ser mais barato, ocupa o espaço de uma produção local, e ainda é de má qualidade.


bem, por uma incrível coincidencia, ou arranjo intencional do proprio escritor, nesse quadrinho, pyongyang, delisle por acaso levou consigo 1984, de george orwell. que é não só o livro que eu também estou relendo nesse momento, mas é um livro que com certeza guarda varias semelhanças com o regime político da corea do norte. ele aproveita para citar o livro, e fazer notas das semelhanças entre o mundo de orwell e a vida em pyongyang. por esse ponto de vista eu tenho que retratar minha opinião anterior, no post anterior, devo dizer que a minha opinião se trata do mundo ocidental, e não desse mundo oriental comunista bizarro que a corea do norte, a china e talvez outros paises vivem.

aqui ou ali, em 1984, winston menciona as outras duas potências do mundo, que vivem em guerra entre sí, e eu me pergunto assim como [se não me engano] o próprio winston se pergunta, sobre como essas outras duas potências regem seu estado e sua população, se é por um regime como o vivido por winston ou algo mais ameno, ou algo "normal". e se seria essa a relação, faltando somente a guerra, entre a china [ou a corea] e o mundo ocidental.

não comprei pyongyang também, primeiro porque já estava comprando dois livros, e seguno porque estava chateado com a industrialização do desenho animado.

quarta-feira, 16 de março de 2011

minhas impressões a respeito do livro 1984 de George Orwell [enquanto lido parcialmente]

estou lendo 1984 de George Orwell. da primeira vez que li eu achava que o nome 1984 era um 'trocadilho' com 1948, o ano que o livro foi lançado. mas essa edição que estou lendo, uma edição muito bonita da penguin com design da capa por Shepard Fairey, possui notas sobre o texto escritas por Peter Davidson. essas notas são por completo interessantes, são um resgate do que se passou com o texto e com o autor durante a criação do livro. nessas notas Peter explica que a historia se passaria em 1980, mas com o tempo que o livro tomou para ser terminado a data mudou primeiro para 1982 e depois para 1984.

eu não lembro muita coisa da primeira vez que li, me lembro ao longo que leio, guardo só um sentimento geral que o livro me passou quando li. desta vez leio em inglês. No meu livro tem escrito atras "'more relevant to today than most any other book that you can think of' Jo Brand". essa edição é nova mas eu me questiono sobre quando essa opinião foi emitida. eu concordo que em certos aspectos Orwell acertou em cheio sobre o futuro, e que a sua visão se sociedade carrega certas semelhanças com a nossa sociedade hoje [hoje é o ano 2011], mas é inevitável que a obra perca seu significado a cada ano que passe, assim como qualquer obra, e qualquer historia ou documento perde um pouco de mensagem com o tempo e com a distância do autor. o que eu quero dizer?

eu quero dizer que a forma desse livro ser o mais relevante possível é para um londrino dos anos 40. escrito durante e após a segunda guerra mundial, o livro imagina um mundo onde uma versão extrema do socialismo prevalece e dá terrivelmente errado. é um futuro distópico que apela e se relaciona com o medo que qualquer pais europeu carregou no pós guerra, não um medo somente de ser dominado pelo socialismo, de ser obrigado a compartilhar, de ter a liberdade de pensar tolhida, mas o medo de uma nova guerra, o medo de viver constantemente em guerra, como acontece em 1984.

Orwell também carrega o livro com referências reais de londres, Victory Mansions, aonde Winston mora, é inspirado em Langford Court, onde Orwell viveu com sua mulher. na época, 1930, o prédio estava entupido de refugiados de guerra e fedia, era possível ver o Ministério da Informação pela janela.
Embora isso seja algo pessoal do autor ele está colocando ali as sensações que vivenciou da época de guerra, a pobreza, a sujeira, a falta de privacidade. alem disso a parte de futuro distópico do livro carrega uma mistura de estéticas da londrês do começo do século XX agora em ruinas, com a destruição que uma guerra causa e o novo estilo arquitetônico, rigido, confinado, monumental, que reflete os ideais do partido, ingsoc, de poder e dominação.

então, o que eu quero dizer é que 1984 carrega uma série de impressões que atingem em cheio um outro público, que só podem ser sentidas em sua integridade por quem passou por situação semelhante ao autor. eu não estou dizendo que por isso, pessoas como eu [que não viveram guerras, não viveram em londres, e que são mais barbaros e mais burros e menos interessados em tudo que nossos antepassados] não podem gostar do livro ou sentir alguma coisa, e se relacionar com a história. é claro que podemos. e podemos ficar incrivéis [no nosso atual linguajar] com esse livro em diversos aspectos. porque é um ótimo livro, uma ótima história. mas é algo que lemos, ficamos incríveis e depois passa, não nos toca com a mesma profundidade.


o passar do tempo e a distância cultural [e geografica] são como traduções. nós, bilingues, aspiramos a entender as nuancias que as linguas carregam, e sentimos que a tradução empobrece a obra. sentimos em shakespeare, sentimos na tradução simultanea do oscar, sentimos nas legendas dos filmes, sentimos em girias, em referencias, em piadas. este bilingue [talvez] informado e sensível busca o conhecimento na fonte lendo na lingua original, mas para entender qualquer livro ele tem que sofrer a tradução do tempo e do espaço, onde as palavras não mudam, mudam de uma forma muito complexa, a forma como os cerebros funcionam. uma tradução que não há como desfazer.


então, voltando a Jo Brand, um livro imprescindivel, 1984, especialmente para quem goste de mundos distópicos, não só no que afeta o espaço, mas no que afeta a lingua e a forma de pensar. distópico como poucos livros são. imaginar um mundo em ruinas é a parte fácil da criação de um mundo distópico. o incrível é criar um complexo funcionamento das personagens, entre as personagens e dentro das personagens, que chega a ser absurdo de tão rico. desnecessário dizer também que a narrativa de Orwell é cativante o suficiente para levar o leitor através das páginas sem esforço.

porem, não tão relevante para os dias de hoje. não como eu vejo. porque a fonte da revolta de George Orwell é o socialismo, a guerra e tudo que ela traz. eu não sei qual seria o resultado real do socialismo dominando o mundo como forma de governo, mas eu vejo que outros desenvolvimentos do homem, apoiados pelo capitalismo e pela democracia, nos levaram a ser hoje tão parecidos com a sociedade que orwell criou. eu gostaria de me aprofundar nos detalhes do que levou a cultura de hoje a ser o que é, mas eu posso dizer que isso é um pouco ironico com G.O..

eu digo que não acho tão relevante porque o resultado pode ser parecido, mas o meio para chegar nesse resultado foi diferente. pra mim o meio é importante. mas ainda é relevante, apesar de diferente, ler a descrição desse mundo leva a associações com o que fazemos hoje, talvez porque estou predisposto, talvez porque estou insatisfeito com a cultura da qual faço parte da mesma forma que [se nao me engano] Orwell também estava, com sua propria cultura, quando escreveu o livro [e veja só, já nessa época ele estava se sentindo indignado com que os jovens estavam se tornando] [pode ser um elemento natural da velhice, repudiar as gerações seguintes e seus atos].

A grande diferença, finalmente, entre 1984 e a realidade, é que as pessoas do livro são forçadas a emburrecer, embora pouco percebem, por alguem/algo que idolatram, enquanto na nossa realidade, emburrecemos porque queremos, porque escolhemos, mas temos um empurrãozinho também, de varios algos que não podemos nomear coletivamente e chamar de mal [como orwell faz com o socialismo] mas que podemos dizer que é nossa cultura de entretenimento, de felicidade, de capitalismo [enquanto o governo, eu acho, não inflói nem contribói].

eu poderia dizer isso e não dizer mais nada. mas eu tenho que mencionar que as pessoas em 1984 não sabem [mas sabem [doublethink] talvez] que estão sendo controladas, e sabem 'quem' os coage, e trabalham para esse 'quem'. assim é possível deduzir que nós mesmos sabemos, mas não sabemos, que estamos sendo controlados e emburrecendo, por ação de entidades que nos mesmos fazemos parte ou apoiamos. no entanto afirmar com certeza algo assim é presunçoso.