quarta-feira, 14 de setembro de 2011

into the wild

a história de alexander supertramp, que é parte de christopher mccandless. que é a adaptação do livro de jon krakauer, que é um livro de não ficção, porque a história é verdadeira, porem é a tentativa do autor de recriar os passos e pensamentos da pessoa, que não parece ter deixado muito no caminho.

SPOILER ALERT
no final ele morre, e isso é decepcionante, mas logo em seguida senti que de tantas historias de viagens pelo mundo, tao desregradas ou menos, alguma daria errado.

de acordo com o artigo da wikipedia, a morte de chris é na verdade uma incognita. krakauser teoriza no livro que tenha sido por confundir uma planta comestivel com uma toxica, no alaska, e assim aparece no filme. ao longo dos anos no entanto testes de laboratorio de thomas clausen indicam que nem as duas plantinhas da regiao, nem algum tipo de mofo natural ou gerado por talvez uma forma de armazenar as plantas, outras teorias de krakauser, seriam toxicos a esse ponto.

edit: vale ressaltar a grande separação, no mundo, do entendimento das ações de mccandless. para alguns ele se tornou um icone, romantizado, mas não dá pra negar o despreparo e um pouco de arrogancia com que ele levou suas aventuras.
END OF SPOILER ALERT

esse é o tipo de filme que considero ter a mesma validade informativa que o livro correspondente, que eu nao li, mas é assim que eu sinto, pois ambos estipulam a respeito de um assunto real com a mesma validade. sean penn dirigiu e acho que de forma excelente, como o rotten tomatoes diz, o filme se torna um estudo de personagem. embora a atuação de kristen stewart seja nao muito brilhante, as outras bastante naturais.

para mim a historia é contada a começar por ações decisivas, a entrada in the wild, e a saida de casa. a partir dai intercala a vida no mundo, conhecendo ambientes e pessoas, e a vida selvagem no alaska, de caçar, comer, ler, e etc.

me parece que para sean pen chris é feliz na sua viagem, e só percebe isso tarde demais, no alaska, quando não é capaz mas de voltar, e nao sei se realmente o fez, escreve em um livro "happiness only real when shared". antes de entrar in the wild chris conclui para ron que a verdadeira vida, ou felicidade [posso estar distorcendo a verdadeira fala], experiencia de vida, é a natureza que deus pos a nossa volta.


terça-feira, 13 de setembro de 2011

cowboys & aliens

é um bom filme. eu me diverti assistindo, mas não é profundo.

destrinchando:
é possivel identificar o filme como uma homenagem ao filme de cowboy, western, os bons mesmo com clint eastwood. ser uma homenagem quer dizer que o filme inclui uma pequena cidade, ouro, minas, procurados, ladroes e indios. há pequenas viagens, emboscadas acampamento e canions. um pouco de tudo que há em filmes western.

a diferença é que colocaram tudo isso lutando contra os aliens. o que pra mim foi uma ideia muito boa, ninguem nunca fez um filme com alien e cowboys! entao eu gostei dessa ideia e tal, mas eh raso né, nao dá pra se dedicar o suficiente a raça alienigena quando voce tem tantas outras coisas pra explorar também. ainda mais depois de tanto filme de alienigena e de district 9 que me vem a mente agora, até super 8 tem dificuldade no enriquecimento do personagem alienigena e suas vontades e aparencia.

então o alienigena tem uma tecnologia legal, um predio que se camufla bem com os canyons na minha opinião, e aquele desejo basico de colonização parasitária.

a atuação de craig tá aceitavel, harrison tá muito legal no papel mais pro começo do filme, e olivia wilde tá uma folha de papel pinheiro, dura, opaca, inexpressiva.

SPOILER ALERT

os ETs tem umas naves que parecem caças, e voam muito semelhante a caças, então pra mim seria muito legal se esses ETs fossem uma raça derivada do humano no futuro, e sua viagem espacial os fez viajar no tempo. ia ficar beeem semelhante a Planeta dos Macacos na ideia, mas explicaria muito e seria bem interessante. mas a anatomia do ET impossibilita essa ideia, é aquele etezinho meio grande, meio rapido, meio rastejante, meio insectoide sabe, que tem aquela armadura natural, e um rosto dificil de entender e sao todos escuros cor de barada cascuda. entao aquele padrao de ET bem médiozinho. deu pra entender?

Olivia Wilde é uma alienigena de outro planeta que foi consumido pela raça alienigena inimiga. ela tem a capacidade de tomar formas, por isso toma a forma de uma mulher gostosinha, mas que nao escolheu muito bem as vestimentas, e se chama de Ella, que curiosamente é falado "ela" quando eu supunha que "ella", a pronuncia em espanhol, seria mais adequada, afinal eles estão em terreno recem dominado do méxico. a não ser que seja escrotisse dos personagens de propositalmente desrespeitar o espanhol, se não, não entendi mesmo.

agora, se esses etc vao minar a terra toda por ouro, q se for a unica razão pra vir aqui é muito tola, porque eles só tem uma nave? mineiradora/perfuratriz/campo de prisioneiros/pesquisa cientifica nos habitantes locais...

entao pra mim, ou é uma raça nomade flutuando no espaço que está prestes a deixar de existir, e por isso eles só tem uma nave, oooou eles são uma super raça, com capacidade de mandar uma minifabrica atravez de atmosferas e do espaço sem problemas, o que quer dizer pra mim que: num planeta distante, eles recebem os ultimos relatorios de uma nave que estuda determinado planeta, e nao recebem mais nenhum relatorio. então decidem investigar, como, mandando mais umas boas naves pra dar uma sacada e estar preparado pra qualquer merda, e ai quando eles virem que um bando de selvagens pipocaram a navezinha mineradora deles, eles vão descer com a porra toda e detonar os cowboys com todas as armas laser que poderem atirar, então esse filme acaba com os alien explodindo no lançamento da nave pra ir embora, mas esse história acaba mesmo com a raça humana quase extinta, criada para escravização enquanto seu mundo tem recursos.

ou isso ou a raça de Ella, wilde, era uma raça muito lixinho belicamente. mas é como a propria ella disse, os ets nao estavam preparados para um ataque humano. entao pode crer, umas navezonas vao voltar com tudo pra pipocar esses humanos.

na verdade todo o destino dos ocupantes dessa nave alienigena dependeu de um trabalhador que não seguiu instruções basicas de segurança. ele estava lá num dia rotineiro na sua sala com varias mesas cada uma com um humano pra dessecar. ao terminar com um humano ele vai pro outro, só que ai tinha um que tava acordado. e eu NAO SEI PORQUE nessa mesa o alienigena  1) decidiu não usar as travas de segurança pra prender o corpo do seu objeto de estudo; 2) decidiu tirar a sua arma superpoderosa estilo predador só que mais compacta, que nao atrapalhou ele enquanto ele furava o corpo anterior, do seu punho, de um de seus 4 braços, ou seja, não tava atrapalhando, só um bracelete, mas ele tirou, e colocou DO LADO do seu objeto de estudo que ele sabia que era uma raça belicosa inteligente. ai mo vei, o humano jake, daniel craig, pega a parada né e usa. e é só isso que torna os humanos capazes de ganhar dos ets.

END OF SPOILER ALERT

entao, com tantas observaçoes, é bom mesmo esse filme? sim. é bom pra rir um pouco e pensar em como podia ser melhor. habito de quem já jogou RPG e acha que um mundo de cowboys invadido por aliens seria um otimo tema para jogo. mas tinha que ser melhor explorado.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

trauma de ser velho

estava no trabalho conversando com um colega sobre a moto, e ele disse que tinha medo de morrer, nao com essas palavras, mas que via os acidentes e que para ele essas coisas eram desestimulantes, mas também nao usou essas palavras, e eu disse "eu nao tenho trauma de moto, tenho sim trauma de ser velho" ah foi isso, ele disse que tinha trauma de moto por causa dos acidentes que via.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

o que eu queria dizer sobre itamaracá mermo era

que esse fim de semana eu fui lá. mini viagem de moto. e espero que a primeira de muitas, e a menor de todas. iria com um grupo de pessoas, mas o tempo com muitas nuvens os desestimulou.

pra mim a grande questão de andar [de moto ou de bike] na chuva, é o momento de se molhar. e acho que é a mesma coisa com qualquer situação melequenta. no começo vc evita e nao quer se melar, no final a atividade consiste basicamente da diversão de se melar.
então, sequinho, em casa, nao dá vontade de sair na chuva, mas quando vc já está na estrada, e a chuva começa a cair você é obrigado a se molhar, e só no começo é ruim, depois você quer é que chova mais mesmo e que tenha muita poça no caminho pra se molhar mais.

fui só para itamaracá, tinha dado uma olhada de leve no mapa, o caminho é simples, as estradas sinalizadas o suficiente. durante o caminho choveu e fez sol, varias nuvens mas varios sois também, se você me entende, e quando eu cheguei lá eu tava todo molhado, completamente, menos a cabeça, que é umas das coisas que eu acho legal de andar de moto. vc pode se molhar, mas a cabeça sempre vai estar seca por causa do capacete, e antes de andar de moto eu nao tinha percebido isso, e tem umas coisas dessas assim simples que eu acho incrível.

o que estava acontecendo em itamaracá? o encontro nacional dos abutres, um motoclube. isso pra mim quer dizer que nao estava acontecendo nada na verdade. acho que era como um acampamento de congresso, tava todomundo lá, mostrando o melhor de sí e se relacionando, mas como eu não conhecia ninguem, pra mim nao tinha graça.

teve a graça de olhar um pouco as motos dos caras, tudo harley davidson, custom, uns triciclos, todomundo invocado, cara de mal, caveiras, de preto, tatuagens. mas até quando a gente vive algo ou apenas idolatra? eu percebi que as pessoas lá não eram muito sobre o llifestyle, mas mais sobre apenas o style, a pose. nao estou falando isso pra ofender, mas é como eu estive pensando no SuperCon; poucas pessoas ali estavam vivendo a vida, o estilo de vida, a maioria são pessoas normais que cultuam aquele estilo. e hoje em dia as duas coisas estão se confundindo.

então tinha uma galera lá que nao tava mais bolando de do mal, tipo, chegaram e tavam feito qualquer vô de férias, de samba canção e camisa, bem colorido e tal. o que é bom também pra ver que talvez quem cultua, quem imagina, não vê todas as faces, e que nesse caso a galera do mal tb gosta de dormir de pijama estampado. mas o que eu quero dizer é que tirando por mim, eu me sinto muito bem nas minhas roupas de aventura, que não tem um estilo muito grande em nada, mas quando eu chego ensopado de lama em casa com minha roupa molhada completamente eu continuo me sentindo confortável com aquela roupa, como se o que eu sou mesmo estivesse ali, em me molhar e me sujar numa trilha, mesmo que no começo eu nao estivesse querendo me molhar muito.

então eu parei minha moto ali e depois de um tempo e de ver que nao havia lojas ou capacetes bons a venda voltei pra perto da moto e perguntei a um abutre menos estereotipado o que acontecia ali, ele basicamente me disse que não acontecia nada, o que quer dizer que ele me disse o que acontecia, mas para mim aqueles acontecimentos não tinham importancia.

quando começou a fazer sol eu decidi que era hora de andar de moto de novo e aproveitar pra secar, pelomenos da cintura pra cima. itamaracá estava me decepcionando um pouco. sai da area do evento para o forte orange que era do lado. a 20 metros do forte orange começavam os bares pobres de praia, daqueles que destroem a paisagem. comecei a notar que itamaracá é uma regiam pobre do estado [como muitas outras] mas achei que por ser um lugar histórico seria tratado com algum respeito e preservação. nao. não dava pra ver a praia direito, nem o forte, eu dei uma volta nele de moto, por um lado que tem um caminho entre o forte e o mangue, e do outro lado dele mais bares. um pouco depois começam as casas de praia, que não sao grandes e super arrumadas nem nada, sao casas de gente simples, o que não é ruim, o ruim é que a magnitude do forte é nula naquele ambiente urbano, inclusive o lado mais interessante do forte eu achei que era atras, sem muito acesso.

o forte estava fechado.



ai eu notei também outra coisa: não sou feito para motos estradeiras, custom e tal, a primeira coisa que fiz ao sair da área do forte orange foi entrar na primeira a direita pra ver a praia, passando pelas ruas alagadas de barro e depois percorrendo a praia um pouco pela areia com a moto, isso sim foi divertido, e com outra moto eu nao poderia fazer isso.

depois de dar uma volta breve na praia eu peguei para a esquerda da estrada, porque vi uns ladeiroes de barro, do que seria a area residencial/favela de itamaracá. nessas atividades durante o dia eu reafirmei minha confiança em mim mesmo na moto, que haviam sido abaladas por uma queda besta, e simplesmente pela minha imaginação que nao estava concebendo certas situações, mas que quando eu enfrentei pareceram simples, e eu ri, não porque era fácil, ou porque não havia risco, mas porque eu podia fazer algo que na minha cabeça era mais assutador, e eu podia compreender e meu corpo responder as situações.

eu andei muito pelas ladeiras de barro, por onde deu pra andar, e cheguei num lugar de onde eu nao via mais nenhum lugar mais alto para ir, entao julguei ser o topo.

era alto e era um barranco,  talvez sofrendo de erosão, ao fundo a area residencial pobre, e a menos pobre perto da água, mais a direita estaria o forte.


o barro ai era muito fofo e escorregadio, tanto que quando tentei por a moto deitada o pé dela afundou no chao, entao tive que colocar num ponto mais inclinado de forma que ela ficou quase na vertical. nesse barro fofo a moto queria rodar mas nao ir pra frente, foi divertido, e foi como na praia, a moto samba um pouco, quer deitar a qualquer momento.

pra chegar nesse lugar havia uma descida e uma subida ingrimes e também de barro, na ida eu consegui sem problemas, mas na volta os proprios sulcos que as rodas da moto fizeram na ida me atrapalharam e eu cai de leve, segunda vez que caio em uma subida e que bom, porque deve ser a qued amais tranquila, em baixa velocidade e tal.

bem, ai eu andei muito, mais muito mesmo por essas partes de barro de itamaracá, me merdi e me achei e quase cruzei a ilha, mas desisti de tentar ate o fim cruzar mesmo porque nao sabia se havia estrada do outro lado do morro que estava, e ja estava me sentindo meio perdido, do tipo se eu pegar mais umas tres bifurcaçoes eu nao vou saber voltar, entao nao cruzei a ilha pelos morros.

pela parte civilizada tirei fotos de duas igrejas, porque lembrei do meu pai, que talvez não propositalmente, tira muitas fotos de igrejas.




não parei pra perguntar os nomes, mas, essas duas igrejas se encaixam bem na cidade e no contexto, ao contrario do forte e dos outros monumentos históricos que estão num limbo urbano de preservação e afastamento e obstrução.

na volta abasteci porque não fui com o tanque completamente cheio, e antes de sair completamente subi para a vila velha, que é uma subida da porra, suave e de paralelepipedo, mas longa. lá em cima nao passei muito tempo, a unica coisa de velha na vila era a igreja, que eu li sobre, na praquinha em portugues e in english, mas só lembro que foi construida em cima das ruinas de um forte, e que o mirante da vila velha não passa de um pequeno descampado atras da igreja, de onde é possivel ver a entrada do canal, e isso deve ter sido importante para os holandeses na época de dominação instável.



mas essa igreja que eu identifico como o unico elemento realmente velho da vila velha, com uma fachada até interessante, é destratada da mesma forma que o forte, por pequenas casas de venda de souvenirs, e com umas casas na frente e em volta, que tornam impossível vc dar uma boa olhada de frente pra igreja. apesar de ruim para mim, o visitante, a velhinha que mora na casa que dá pra frente pra igreja nao deve achar ruim, se ela for religiosa, o que achei que era, porque estava falando torrencialmente alguma coisa pra quem passasse ouvir.

sem mais o que ver eu desci rapido, mas tirei uma foto do meu retrovisor antes de chegar ao pé da estrada

quando passei pensei "pooo isso é bonito" e parei pra tirar a foto

a volta foi rapida como a ida, com menos chuva, e menos, porem também, motos indo e voltando, e acho que é isso que eu tinha a dizer, agora que não vem mais nada a dizer na minha cabeça.

mas o importante é que foi muito bom, muito divertido, e eu digo isso porque minhas observações podem aparentar o contrário, agora eu quero mais viagens e mais trilhas!

itamaracá

"itamaracá" tem um acento do tipo que eu nao gosto de escrever, mas é uma palavra que eu sinto necessitar do acento. "itamaracá" nao é feito um "não" que, no meu teclado, é ruim de acentuar, pela distância, dificuldade de acessar o acento enquanto escrevo. então é uma culpa do teclado mesmo, que nao foi feito pra uso de acentos*. ainda, "itamaraca" e "nao" nao sao como "distância" que é horrível de acentuar, mas distância é cruel, porque se eu nao acentuar, parece que estou dizendo "distancía", saca? e o computador também pensa assim, porque ele nao interpreta, então são essas palavras as que nao são subilinhadas pelo computador, que me preocupam profundamente na hora de escrever, nao acentuadas elas significam outra coisa.

*e um teclado que nao foi feito para o uso de acentos é uma coisa relativa. mas eu penso em muitas coisas as vezes como neurônios, nesse caso, nao é que o teclado tem uma combinação proibitiva de teclas que me impede de acentuar, é só que como em um neurônio, essas combinações nesse teclado por vezes nao geram um estimulo grande o suficiente para me fazer acentuar.

palavra boa de acentuar é o "é".

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Jake Leg

essa banda awesome, Baroness, alem da musica boa, tem umas capas ridiculamente bem desenhadas e as musicas tem uns nomes assim bem "nada a ver" q vc nao sabe de onde veio.

as vezes isso nao quer dizer nada, as vezes quer dizer que tem muitos motivos simples por traz dessas coisas, motivos as vezes difíceis de ver ou pesquisar.

mas de vez em quando eu pesquiso sobre as coisas, e quando é musica é muito difícil achar algo, dessa vez foi o contrario. e essa é uma das coisas que quando você começa a pesquisar é levado a varias outras informaçoes, pra finalmente entender todo o contexto, ou entender ate onde voce quiser:


Jake é como se chama nos estados unidos a Jamaica Ginger, extrato de gengibre jamaicano, e era vendido como uma patent medicine, bem, patent medicine, eu tive que ir atrás, é aquele velho remédio enrrolativo que se vê em filme de velho oeste, e de onde provavelmente surgiu o aquele tipo de anuncio de vendedor de rua que seu produto cura tudo e deixa mais bonito e forte e tudo, que é só balela. curiosamente, esse nome, patent medicine, é uma inverdade, os 'remédios' nao eram patenteados, tinha apenas a marca registrada. patentear obviamente revelaria segredos ou falcatruas dos remédios.

a época dessa bebida é o século 19, época onde aconteceu nos estados unidos a lei seca, e coincidentemente jamaican ginger continha de 70% a 80% do seu conteúdo de etanol. e por isso que agora chamo de bebida, era vendida como medicina, mas parecia uma boa forma de escapar da lei seca e beber o seu de todo dia.

então, jake não era algo perigoso, mas o governo também o reconheceu como uma forma de burlar a lei seca, e impôs alterações na formula, que deixavam a bebida ruim. dois caras então, conseguiram desenvolver uma formula adulterada que passasse nos testes do departamento de agricultura mas mantivessem a bebida palatável. só que a substância que eles estavam usando para adulterar a formula, que pensava-se nao ser tóxica, na verdade é uma neurotoxina.

em 1930, apenas 3 anos antes do fim da desastrosa lei seca [coisa q eu sei por dois motivos, primeiro, nao vingou, segundo, Boardwalk Empire, HBO] uma grande quantidade de consumidores de jake começaram a perder o uso das mãos e dos pés, como diz no artigo do wikipedia q a este ponto eu estou apenas traduzindo,  algumas vitimas conseguiam andar, mas não possuíam mais o controle dos músculos que normalmente permitiam que apontassem os dedoes do pé para cima. assim para andar primeiro eles levantam a perna mais alto, com os dedoes do pé apontando pra baixo, e estes seriam a primeira parte do pé a tocar o chão, seguido do calcanhar [o oposto do que fazemos normalmente ao andar]. e começaram a chamar a forma de andar de jake walk, e dizer dos afetados que o que eles tinha era jake foot, jake leg, ou jake paralysis.

e é envolta desse assunto que o tema da música se estabelece.
a letra:


Jake leg!
Steal this wine away
Flay me
Underneath the brine

Running away
Through the sick and the pure
"Mind your feet!" lest they firmament tread

Crawl past the soft
Spiraled sinewy teeth
"Soiled dove!" steal the fruit of it's jaws

Lady!
Keep those hounds at bay
Feed me
The fruits of Avalon

The body's a vessel
The hands find a cure
"Flesh is weak!" and my lip needs a meal

Weak in the knees
And you're wet on the floor
"Ace of staves!" we will dance evercome

terça-feira, 19 de julho de 2011

lixo nas calçadas

estou cansado do lixo nas calçadas do recife. os recifenses nao querem resolver problemas, eles evitam os problemas. assim, recife poderia ser uma grande cidade, mas está populada de porcos que fogem de problemas.

há lugares que voce entende que não se importem com o lixo, os prédios, que nao devem nada a ninguém a nao ser quem está dentro do prédio. mas os prédios tem uma lei eu acho que os obriga a guardar o lixo em algum lugar no prédio, então pelomenos os novos tem um espaço com uma grade na sua parte desinteressante da fachada pra acumular o lixo.

prédios antigos como o meu guardam o lixo mas no fim do dia o colocam na rua pra o caminhão pegar. tem um prédio na minha rua inclusive, que é o mais nojento, que ocupa sua calçada já suja com lixo de um lado a outro, e o lixo desse prédio fede incrivelmente. e há prédios como os que eu citei, que estão de acordo com alguma lei ou algo que se passa por um bom costume, ele tem um grande muro cinza, e nesse muro uma grade que dá acesso a o local onde guardam o lixo, o lixo desse prédio nao só fede abissalmente como tem a habilidade de sempre liberar chorume, que escorre pela calçada, perto da parada de onibus. isso é no começo da rua do futuro.

mas os prédios são as construções mais egoístas, e os recifenses fogem dessas coisas. então, andar no recife é difícil; é quente, as calçadas são ruins, a sinalização é ruim, a segurança é ruim, então como os recifenses andam de carro nessas áreas, eles nao veem mais o lixo que seus prédios poem nas ruas.

o que me assusta mesmo é o NACC do recife, na rua do futuro também, que eu sempre uso para voltar pra casa a noite, depois do trabalho. na minha imaginação um lugar que se chama núcleo de apoio a criança com cancer é aquele lugar de pessoas boas preocupadas com o bem estar de criancinhas e tal, então você imagina bons cidadãos, e voluntários que parecem tao altruistas e nao cobram nada pra ajudar as pobres criancinhas com cancer. mas no final do dia o NACC poe a sua montanha de lixo na frente do prédio, e foda-se a calçada.

eu não sei se eu devia ver essas duas características separadas, a preocupação com crianças e a preocupação em colocar o lixo em algum lugar melhor que a calçada, mas pra mim faz parte da mesma preocupação de ser uma pessoa melhor, ou algo assim. me parece escroto vc cuidar das crianças com cancer e nao cuidar da sua cidade. é como ver um professor de escola dar uma aula sobre como o cigarro é ruim e depois ir fumar, ou como se um voluntario do NACC saísse de la depois de trabalhar e jogasse um papel de bombom no chão. você nao espera isso dessa pessoa.

em segundo lugar no meu top de lugares escrotos é o el Chicano, assim do topo da minha cabeça. o el Chicano é um bar que poe seu lixo na frente do bar, na calçada que a galera usa pra comer e beber, porque o bar poe mesas do lado de fora também. e eu lembro que o el chicano tinha um problema com esgoto, uma fossa, algo assim, e eles resolveram o problema, depois de um certo tempo, mas o lixo que fede e incomoda visualmente e atrapalha o caminho da mesma forma que o esgoto eles continuam pondo na frente do bar.

esse é muito irônico, porque eles estão querendo ganhar dinheiro ali, é isso que eles fazem, pagam uma de mexicano com cervejas de outros países pra vc gastar seu dinheiro lá, tem todo um investimento em ambientação e fachada, nao um investimento muito grande mas ainda assim um investimento, e na frente do bar eles poe todo dia um desinvestimento, o lixo. mas ai eu penso, que os recifenses nao se importam. porque o bar continua lá firme e forte, e as pessoas continuam indo.então eles nao devem se importar de viver no lixo, nem os que cuidam de crianças com cancer, nem os que querem se embriagar.

minha imagem final das calçadas do recife é que devem ser um tapete de chorume, e pensando nisso as vezes eu tenho nojo do meu sapato e tiro ele antes de entrar em casa. mas quando eu esqueço, como hoje, eu entro de sapato, eu devo ser meio recifense também.


pensando nisso eu tenho que dizer que nunca vi lixo na frente do fiteiro ou do neno, nao sei onde eles botam, mas parecem esconder bem [acho que o neno poe do outro lado da rua].

quando não é lixo é outra merda na rua, como a merda propriamente dita de algum animal, ou arvores [nao que eu ache que deviam tirar as arvores, mas deviam ter calçadas mais largas] e postes [os postes deviam ser tirados] e calçadas que não existem, e etc. acho que esse é um dos motivos que não consigo me ater muito tempo a uma forma de transporte, ônibus demora, o transito é um caos pra carro ou moto, bicicleta tem que brigar com os carros, e pedestre nao tem onde andar. revezo os transportes pra não enjoar.

e é isso que tenho pensado ultimamente sobre nossa cultura, do recife, ou do brasil, que é disfuncional em vários níveis e sentidos. disfuncional no mobiliario urbano, nas prioridades, na cidadania, no ensino, etc.

eu também sou recifense e nao estou propondo soluções, só desabafando. eu ando no meio da rua mesmo.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Juliet, Naked de Nick Hornby

as vezes é difícil classificar um livro sem entrar nos detalhes, e dizer apenas "bom" não é suficiente. no caso de Juliet, Naked eu digo que é muito interessante, mas eu não leria uma segunda vez. recomendo que seja lido, mas não com muita prioridade na sua lista.

pelo que eu li, como sempre, de forma breve e incompleta, sobre o livro, elel é bem criticado e comparado a qualidade do primeiro livro de Hornby, High Fidelity, que eu também li e gostei muito. Nick Hornby me parece escrever para o tempo em que ele está. nesse livro a internet se apresenta como parte das vidas das pessoas, wikipedia, forums e emails, e tem importancia para o desenvolvimento das vidas dos personagens como tem hoje na nossa.

se Nick Hornby consegue representar a internet com essa crueza e realidade é porque isso faz parte de como ele percebe as pessoas hoje, no livro o uso da internet nao é uma alegoria ou uma ficção exagerada, mas uma parte das vidas dos seus personagens, como ir trabalhar, pensar e beber.
[ao contrario de por exemplo, Stieg Larsson, onde o mundo digital é explorado por uma super-hacker, ou do imaginário comum de filmes]

o livro segue das perspectivas de três personagens, Annie, Duncan e Tucker Crowe, onde Annie é a personagem principal. Juliet, Naked é o nome do unico album de sucesso do artista dos anos 80 Tucker Crowe, que sumiu misteriosamente durante a turnê do disco, e Duncan é um aficcionado com a obra do artista, se auto intitulando "crowologist" e "scholar" no assunto. Annie enquanto personagem principal não está ligada diretamente a esses elementos presentes durante todo o livro, ela é a mulher/namorada de Duncan, num relacionamento disfuncional de 15 anos e a curadora do museu da cidade, descrita desinteressante, onde moram, chamada Goleness.


no decorrer do livro, do ponto de vista de Annie e seus pensamentos e impressões são delineados os outros dois personagens e a arte de a graça do escrito de Hornby está na hora que ele muda de perspectiva, acompanhando outros personagens e seus pontos de vista, o que acontece sutilmente por todo o livro, mas especialmente no momento que ele passa ao ponto de vista de Tucker Crowe.
então o que um faz por acaso, o outro pode ver como ironia ou agressão, e o que é visto como um ídolo e um mistério pode se sentir um fracasso e viver numa situação completamente inesperada do primeiro ponto de vista.

a graça de ler, e talvez a graça do escrever para o autor é a analise de como cada pessoa vê uma mesma situação, e como elas pensam a respeito disso, dado que cada uma tem apenas uma pequena janela para olhar, ou apenas algumas cores passando pelas suas lentes [escolha a metáfora] e poucas oportunidades para tirar conclusões.


o autor também pára aqui e ali para analisar como funciona a sociedade hoje, tomando como ponto o album de Tucker Crowe. um album bem criticado porem que não fez muito sucesso e um artista misterioso fazem alguns fans ao redor do mundo, que em outra época talvez nunca se conhecessem. com a internet, qualquer fan de qualquer coisa pode encontrar seus iguais e assim se encontram os fans de Crowe nos forums para discutir a obra, interminavelmente diminuta para o que é uma idolatração de duas decadas. assim, qualquer objeto é idolatrado eternamente, e nunca esquecido, mas cultivado, o que é uma irritação de Tucker, que preferiria o esquecimento.

o livro acaba de forma abrupta, e um de seus assuntos também é um dilema humano, sobre o que é aproveitar a vida, o que é errar, o que é acertar e o que é que causa arrependimento, talvez um reflexo da maturidade do autor [ou maior maturidade, ou menor imaturidade] e sob esse ponto de vista, não é uma história com começo meio e fim, mas a historia do fim de um período de 15 anos onde aparentemente nada aconteceu na vida dos três personagens, e a descoberta que ainda da tempo de fazer coisas acontecerem, que causem orgulho, ou no minimo, menos arrependimento.

e sob esse ponto de vista o final é adequado ao livro, pois não cabe a ele contar essa segunda parte dessas vidas.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Californication Alternative Master Bootleg, Loudness War, opiniões

Esbarrei no Californication, de Red Hot Chilli Peppers, durante um shuffle da vida, e decidi parar pra ouvir, mais uma vez. Como é um hábito hoje em dia, aproveitei o momento para ler sobre o cd também. Felizmente o Californication é um album bem coberto no wikipedia, o que as vezes depende mais da banda que dos fanáticos que organizam a informação.

Nessa leitura descobri o termo Loudness War. "The loudness war or loudness race is a pejorative name for the apparent competition to digitally master and release recordings with increasing loudness." Então, o que vem acontecendo, "desde sempre" no que se trata de masterização, é que os albums são masterizados em volumes cada vez mais altos. De acordo com o artigo, a guerra começou com o CD, mas já acontecia com vinyl; como as jukebox tinham o volume predefinido pelo dono, o vinyl que viesse masterizado mais alto iria evidentemente chamar mais atenção.

No CD a consequência do aumento excessivo do volume é o clipping do sinal, o que quer dizer que parte da música foi perdida pois o volume máximo que poderia ser gravado já foi atingido. e o artigo continua de forma bem mais especifica a falar da situação.

Voltando a Californication, em resposta ao lançamento oficial extremamente alto existe um Californication Alternative na internet, essa versão é um bootleg que ninguem sabe de onde veio, mas que representa um estagio anterior ao produto final, onde as músicas ainda possuiam seu volume preservado. outras diferenças sao a ordem das músicas e a inclusão de outras músicas. Procurando por esse CD eu esbarrei na barreira da ironia, em um dos links que o google sugeriu, pessoas em um forum procuravam pelo Alternativo, mas só achavam uma versão de 192kbps.

Quem começa a andar pelas areas dos audiófilos sabe que existem estágios de qualidade da música, ou do sinal/gravação da música: Vinyl > CD e para arquivos digitais: Flac > Apple Lossless > mp3 320kbps [ou apartir daqui outra terminologia pra os mp3 que é V0 V1 e V2 > 192kbps. Isso quer dizer que depois do vinyl e do cd, e teoricamente do flac e do m4a [apple lossless] os formatos digitais recorrem a compressão do arquivo e a clipagem do som para diminuir o tamanho do arquivo. Então se você busca qualidade no som, não é num mp3 de 192kbps que você vai achar. 

Não é muito fácil achar esse album, encontrei somente num private tracker de audiófilos que frequento e decidi baixar. o que é irônico é que quase tudo que eu baixo nesse tracker eu me arrependo. como ele é private você tem q manter o ratio entre upload e download, e isso é muito difícil de fazer, então a cada download seu ratio piora um pouco. eu acabo baixando lá só o que é extremamente difícil de achar, e a maioria desas coisas escusas, são escusas porque você nao vai ouvir o tempo todo mesmo.

Mas falando do album agora, o som do Californication Alt é realmente bom, é nítido, limpo, claro, e mais adjetivos que significam quase a mesma coisa. os sons ficam mais distintos, os que devem ficar atras da música e os que se destacam e tudo, tudo no lugar. inclusive nao tem aquela voz bizarra no final de Right on Time / começo de Road Tripping que me perturba desde a primeira vez que ouvi esse cd.


Estranhamente, uma banda que eu achei bastante aberta pra falar sobre a vida e o processo de criação dos albums, abertura demonstrada pela quantidade de informação nas páginas do wikipedia, nao comenta sobre o grande debate da masterização de seus CDs. Muito embora normalmente eu nunca tenha visto alguém comentando abertamente sobre defeitos na sua produção de sucesso. Ninguém diz "esse cd da gente que vendeu um milhão de copias tem um defeito horrível aqui e ali mas foda-se" não rola.

Pra mim é importante ouvir argumentos em defesa do suposto erro de masterização, mas não há, inclusive, enquanto lia, mas nao li todo, o artigo sobre Loudness War percebi que a cobertura do assunto parecia vir apenas de críticos e sistemas de som de alta definição, claro que algo que não seja isso, como as pessoas e consumidores normais são coisas mais difíceis de atingirem a wikipedia por causa das regras de validade do material [deve ser algo publicado tantas vezes ou algo assim, uma opinião pessoal evidentemente nao conta e a massa provavelmente nao se importa com algo tão pequeno], enfim, com minha mentalidade de mercado formada no berço do design eu vejo motivos que tornam o volume excessivo na masterização um não-crime.

Não era somente por querer ouvir mais alto que as pessoas tendiam a escolher as músicas mais altas na jukebox, é por querer ouvir tudo. Todos que ja andaram pela cidade, pegaram um ônibus de fone de ouvido podem ter percebido que parte da música vai embora junto com o barulho do mundo. Então ouvir alto também é em certas situações a única possibilidade de ouvir tudo. Eu não acho que as jukebox são renomadas por um som perfeito [mas isso eu suponho é claro pois eu nao conheço as jukebox do passado].

Então em meio a poluição sonora, se uma faixa auditiva da música vai ser perdida a solução é aumentar o volume pra poder ouvir esses detalhes. Eu lembro que no terceiro ano havia um cd que eu escutava, e em certo momento uma parte da musica sumia no barulho da sala, uma parte exata e era muito interessante como simplesmente nao dava pra ouvir ela.

O problema em aumentar o volume em uma masterização "normal" é que a distancia entre os sons "baixos"
 e os "sons" altos vai ser muito grande, então você ouve os detalhes mas também fica incomodado com partes altas demais, e foi isso que senti durante uma caminhada que aproveitei pra ouvir parte do cd, pra poder ouvir tudo o volume estava me incomodando.

Então para mim o Clipping se torna uma parte importante de fazer a música escutavel pela maioria do publico que tem só um som meia boca, e é suficiente, voce aumenta o volume de tudo, no master, e rola um clipping, assim a distancia entre os sons é menor e você pode ouvir a musica sem ferir os ouvidos para entender os detalhes.

Pra finalizar com esse album, Californication, eu digo que entendo a diferença, até onde meu ouvido e meus fones permitem. Músicas como Road Trippin' ganham muito com o master normal, a nitidez colabora com o som acústico e a voz, mas para a maior parte do cd o volume excesivo e a sujeira resultante é benéfica pra mensagem e a estiga do album, e fica certamente mais decente de ouvir nas situações do dia-a-dia. mas para escutar em casa, no silencio e com toda a disponibilidade de volume, vale a pena ouvir o master alternativo.

No final, é uma questão de público. como o público consome aquele produto. eu dei uma olhada no artigo da wikipedia sobre o Stadium Arcadium também de Red Hot porque eu lembro que quando eu ouvi pela primeira vez eu achei o som estourado, com um feeling Californication. o masterizador dos dois albums é o mesmo, mas o Stadium Arcadium também foi lançado em vinyl, com outra masterização, outro masterizador, com níveis de volume normais. Assim, a oportunidade existe de obter as músicas da forma mais coerente com sua forma de ouvi-las. Para mim o lançamento do Stadium Arcadium em duas formas é o sinal de que talvez essa também seja parte da opinião da banda a respeito dos albums.


Pra terminar, eu não consigo separar de mim a sensação de estar me enquadrando um pouco a situação retratada em um dos personagens de nick hornby no livro Juliet Naked, na busca pelo som perfeito. mas minha busca é seriamente mais breve que a dele, e tropeça na minha noção que nao sou especialista em nada e não garanto nada do que digo alem de ser apenas a minha opinião sobre apenas aquilo que sei.




segunda-feira, 16 de maio de 2011

outro dia eu coloquei no facebook, no grupo fechado de uns amigos, que quem quizesse andar de moto ouvindo musica só iria conseguir se fossem eles mesmos que tivessem cantando a musica, dentro do capacete.

alguns entenderam, outros não, mas sabemos que o entendimento é uma coisa muito parcial, fragmentada, e que na verdade, nem palavras completas, para entendedores completos, bastam. quando eu disse o que disse, eu estava atacando uma concepção, um ideal, de alguns amigos, que me deixa embasbacado por inúmeros motivos.

esses meus amigos cultivam a ideia de quando fizerem quarenta anos comprarem uma moto harley davidson e fazerem uma road trip escutando metal. me impressiona essa vontade de se encaixar num estereotipo tao grande do "coroa", da harley davidson, road trips, e da vaga ideia de ouvir musica [metal, rock, como highway to hell] andando de moto.

pra começar, eu sei que existem motos com sistema de som, mas sério, é necessário? umas harleys inclusive tem som, mas elas sao enormes e carissimas, ainda mais aqui no brasil. depois, tem a coisa do capacete, que vai cobrir seu rosto, tem o barulho do motor e o barulho do cano escape, e isso tudo vai atrapalhar voce ouvir a musica. ainda, eu nao acho que é ideal andar de moto ouvindo musica, andar de moto é prazeroso mas tambem é um exercicio de atenção e de resistencia.

o principal ponto subtextual do meu argumento, se inclui aqui, pra mim o mais divertido é cantar dentro do capacete. o capacete gera uma acustica, e voce se ouve muito bem, e estar coberto pelo capacete pra mim é uma sensação de como estar no banheiro, é um solidao perfeita, ninguem te ouve [ou voce acha que ninguem te ouve] ninguem vê que você está cantando, e é divertido cantar dentro do capacete, da mesma forma que é divertido cantar fora, qualquer merda, só por cantar, como no chuveiro.

mas o principal ponto de verdade, que eu nao inclui no meu argumento no fb, é que andar de moto é uma coisa que nao se aprende de uma hora pra outra, mas eu nao culpo meus amigos de pensar assim. eu sei que é porque as coisas do ponto de vista de quem nao vivenciou, ou está de fora, parecem muito simples. andar de moto é um aprendizado constante, e é mental como é corporal.

outra coisa que tenho percebido é que quem viaja de moto não faz apenas uma viagem, mas varias. e deve levar varias viagens para ser um melhor viajante. repetir também é algo natural de quem gosta de fazer qualquer coisa, eu acho, entao quem gosta de viajar nao viaja apenas uma vez, mas varias.

eu penso em fazer viagens de moto, e eu penso numa grande viagem, mas eu estou começando a pensar em pequenas também, pra me preparar pra uma grande, e a moto que ando nem é minha.