segunda-feira, 27 de maio de 2013

Os jogos e a emoção

Diversas vezes eu me encontrei na situação de mostrar um jogo para alguém e tal jogo ser recebido com menos entusiasmo que o esperado. Recentemente eu acho que entendi o porque, e agora me parece muito simples.

O jogo é um novo meio de comunicação, uma nova forma de contar histórias, e está lado a lado com o texto, a imagem, o filme e a música em potencial. Enquanto eu pensava nisso meu cachorro apoiava sua cabeça no meu colo e eu acariciava seu pelo com uma mão, olhando pra tela do computador, nas cenas finais de Journey, um jogo exemplar. Daí eu notei que pelomenas não me recordo de histórias contadas se valendo do tato. Usamos da visão e da audição para contar histórias a um público. Com tato, paladar e olfato relembramos, regozijamos e contamos histórias à nós mesmos.

Mas o texto, a imagem, o filme, a música e o jogo são interdependentes, e dependem inclusive dos sentidos por elas não explorados, na forma de uma biblioteca de lembranças que podem ser acessadas pela história a ser contada, para enriquece-la, intencionalmente ou não, da parte tanto do criador como do público.

Como se estivéssemos adicionando a complexidade e riqueza das nossas histórias ao passo que evoluímos, trazemos imagem, texto e som para compor nossas obras, desnecessário especificar, mas esse três elementos já se encontram unidos no teatro e possivelmente em diversas outras situações antes mesmo de se desenvolver a gravação de som e imagem.

Dentro do mesmo meio, a imagem, apenas passando da estática para a dinâmica, ou da foto para o filme, há uma mudança, com o movimento é adicionado dimensão, o tempo permite outras composições que a imagem estática não permite. E do filme para o jogo
– não que necessariamente o surgimento desse meio se dá como uma mutação do primeiro, mas na verdade se inicia puramente pela idéia de jogo, de brincadeira, imitando mecânicas simples do mundo físico de forma simplificada, como o jogo de tabuleiro –
se adiciona outras dimensões que novamente incrementam em potencial de composição, incluindo até o tato, e outros elementos interativos característicos do jogo, em grupo.

No jogo é adicionado à imagem e ao som um movimento mais complexo que o do filme. O movimento controlado pelo jogador tem o potencial de inseri-lo profundamente na experiência, porém demanda dele autonomia, capacidade de atuar e dirigir a vivência. Para isso o público deve se familiarizar com a interface que o permite interagir com a obra, mover câmera e personagem.

Aí se encontra um dos motivos da minha frustração ao apresentar jogos a não jogadores. E eu percebi isso mostrando um jogo a uma amiga. Outras vezes eu percebi que para apreciar o jogo faltava o entendimento do sentido, objetivo, que é algo necessário de ser clarificado para o leigo que encara o jogo digital a semelhança de um jogo de tabuleiro, um jogo casual, de metas simples. A capacidade de aceitar um contexto dado e de resolução de problemas é algo que acelera a compreensão e entendimento do funcionamento e do seu papel como jogador. E em geral, se eu me refiro ao potencial das artes de provocar experiências emotivas, outro fator – que felizmente não me recordo ter enfrentado em grande volume – é a sensibilidade à elas, que muitas vezes vem com a educação oferecida e a que é dada a si mesmo.

Mas foi desta vez, ao mostrar um jogo a essa amiga, que cumpre todos os prerequisitos acima para entender e apreciar, quando percebi esse fator óbvio: faltava a ela apenas a familiaridade com a interface, o controle. Controlar algo demanda muito do humano. Aprendendo a usar o próprio corpo (a primeira interface) ou qualquer objeto, maquinário como carros entre diversos outros, vãos isolar nossa concentração nisso, fora isso, todo o efeito das imagens e som passarão despercebidos enquanto você estiver se empenhando a manter o personagem numa direção e a câmera em outra e ainda se encontrar geograficamente no espaço virtual.

É uma questão que perdura, como comunicar com sucesso, pois o que quer que seja, encontraremos divergências nos conhecimentos necessários para entender a mensagem. Nesse caso acaba que as novas dimensões adicionadas foram um impecilho para apreciar, e aí talvez seja melhor mostrar o jogo, como um filme, para depois trabalhar na capacidade de jogar.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Argos e ecocardiograma

argos foi no veterinário hoje pra ouvir que alem de velho seu coração já não aguenta o mesmo ritmo de um jovem. o que piora minha convicção de que ele só fica velho se ele, ou eu, souber, só se for explicitamente apontado. e está sendo. só faltou terem me dito mais claramente o seu estado exato, acho que isso vai rolar mesmo no email que a vet vai me mandar.

Por enquanto a recomendação é observar o comportamento do animal para sinais de cansaço demais, tosse demais, coisas de velho demais. fazer outro exame daqui a 6 meses, e fazer a cirurgia com anestesia por inalação que aparentemente é mais limpeza.

foi na clínica Animania, com a Dr. Iracema. por 130 reaus.

*edit*
depois que foi dito eu percebo que argos demora um bocado para se recuperar de qualquer esforco fisico, fica ofegante rapido. mas isso ja faz tempo que ele eh assim.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

feliciano e outras polêmicas

o que cansa nessa história de feliciano, e outras polêmicas que rolam de tempo em tempo por ai (especialmente no facebook) é que hj em dia simplesmente não dá pra saber a verdade. eu não tou la pra ver o que esta acontecendo, aliás em quase nenhuma dessas polêmicas é possível atestar com conhecimento de causa "eu presenciei e é assim, assim, assado", tanta gente dissemina informação, tanta gente o faz de forma errada que não da pra saber o que é informação e o que é desinformação.

ate porque o que parece é que cada artigo, noticia, jornal, post de facebook, político, rede de televisão e etc. tem uma agenda por trás, e ninguém está comunicando apenas com o objetivo de comunicar, fatos, sem opiniões, sem ataques a pessoa, apenas fatos. todos querem doutrinar, formar opinião, induzir, convencer. parece que não há outro objetivo dessa comunicação contemporânea alem disso.

nisso que é mais ruído que comunicação nós acabamos dessensibilizados e descrentes, torna-se impossível distinguir o comunicador desonesto do honesto.

ai eu me lembro de algo que me disseram, me lembro do meu amigo Galo nessa hora, mas não sei se foi ele que disse, tipo assim: "antigamente poucas pessoas podiam ou conseguiam se comunicar, ler, escrever, disseminar um conteúdo, por isso eles eram valorizados, o assunto levado a sério, ouvidos. hoje todos podem publicar o que pensam, e por isso, ninguém ouve". na anedota que ouvi tinha a atuação do diabo pra deixar mais humorístico, mas é basicamente isso.

isso se dá não só porque todos querem falar e ninguém quer ouvir, que foi o que pensei da primeira vez que ouvi a anedota, mas porque é tanta informação cuspida em você que simplesmente não da pra ouvir mais, nem e você quiser.

então eu imagino como um papel a4, branco, você não vê nada, ai em rápida sucessão varias pessoas começam a desenhar, escrever, encobrindo, englobando, propositadamente ou não os outros rabiscos, até o papel ficar preto, e você não vê nada de novo.

assim é como se, ouvindo, estivéssemos surdos. e sem perceber partimos pra agir com outros sentidos.

estando cego e surdo, por todos os lados sendo tentativamente enganado, só resta tatear um caminho a seguir, usando dos valores, dos princípios, moral, filosofia de vida, o que quer que seja que você tem pra si mesmo como guia, que deve ser construído com apreço dentro de si.

EU, só posso atestar com certeza sobre o micro universo ao meu redor, que presencio (desconsiderando a dúvida sobre se o que os sentidos alimentam ao meu cérebro é de fato real) e reduzir o que digo a fatos, separa-los da opinião para ao meu diálogo conferir um pouco de clareza.

ultimamente, acredito em ação, agir de acordo com o que penso e com o que quero, por em prática as idéias para ativamente alterar o mundo que percebo, na tentativa de torna-lo mais acolhedor. nesse caminho realmente não me interessa muito o que acontece nessas polêmicas.

voltando aos LGBT, não acho que devia importar pra eles o que feliciano diz ou quer fazer, nem o que lgbtfóbicos dizem, ou acham, ou suas ameaças. as "minorias" tem de atacar as "maiorias", vivendo do jeito que querem, e fazendo o que querem, enfrentando no mundo mais que nas palavras.

um colega de classe na faculdade (nesse, de todos os lugares) disse: "eu não sou homofóbico naao, mas se eu tiver andando no shopping com meu filho e ver dois gays se beijarem eu vou la dar neles, por causa disso disso disso proteger meu filho lalala...". eu espero é que ele tenha essa oportunidade, e saia derrotado, ou por si mesmo, ou pela policia, ou pelo revide daqueles que quer agredir.

domingo, 21 de abril de 2013

argos e cancer

argos, apesar da duvida sobre sua idade, é, ou caji é, um idoso. os pelos brancos se estabelecem nas patas e focinho, mas o vigor e humor são os mesmos.

eu procuro nao falar, ou pensar sobre sua velhice, como se da minha consciência dependesse a sua longevidade. ou que assim ele acabe ouvindo e decida se comportar como um velho.

outro sinal da idade é o aparecimento de nódulos, tumores, cistos, escolha um nome, que levou a decisao de remove-los e castrar-lo, o animal (um dos nodulos eh no ovo. outro na perna, aparentemente).

retornamos ao veterinário sexta, com o nódulo/escara de decúbito novamente excretando pus e foi receitado novamente antibioticos para melhorar.

preparando-se para a operação será feito um ecocardiograma, pra ver qual forma de anestesia usar, e um hemograma pra nunseiquela, ambos serão marcados amanhã.

sábado, 20 de abril de 2013

arverezes

faz umas semanas que plantaram as arvores aqui na calçada. sao ipê-roxo e uma outra na esquina de menor porte pra nao diminuir muito a visibilidade.

foi a sementeira do recife que plantou, sendo feito o pedido pelo numero 156, agora é só plantar mais do lado de dentro.





quarta-feira, 14 de setembro de 2011

into the wild

a história de alexander supertramp, que é parte de christopher mccandless. que é a adaptação do livro de jon krakauer, que é um livro de não ficção, porque a história é verdadeira, porem é a tentativa do autor de recriar os passos e pensamentos da pessoa, que não parece ter deixado muito no caminho.

SPOILER ALERT
no final ele morre, e isso é decepcionante, mas logo em seguida senti que de tantas historias de viagens pelo mundo, tao desregradas ou menos, alguma daria errado.

de acordo com o artigo da wikipedia, a morte de chris é na verdade uma incognita. krakauser teoriza no livro que tenha sido por confundir uma planta comestivel com uma toxica, no alaska, e assim aparece no filme. ao longo dos anos no entanto testes de laboratorio de thomas clausen indicam que nem as duas plantinhas da regiao, nem algum tipo de mofo natural ou gerado por talvez uma forma de armazenar as plantas, outras teorias de krakauser, seriam toxicos a esse ponto.

edit: vale ressaltar a grande separação, no mundo, do entendimento das ações de mccandless. para alguns ele se tornou um icone, romantizado, mas não dá pra negar o despreparo e um pouco de arrogancia com que ele levou suas aventuras.
END OF SPOILER ALERT

esse é o tipo de filme que considero ter a mesma validade informativa que o livro correspondente, que eu nao li, mas é assim que eu sinto, pois ambos estipulam a respeito de um assunto real com a mesma validade. sean penn dirigiu e acho que de forma excelente, como o rotten tomatoes diz, o filme se torna um estudo de personagem. embora a atuação de kristen stewart seja nao muito brilhante, as outras bastante naturais.

para mim a historia é contada a começar por ações decisivas, a entrada in the wild, e a saida de casa. a partir dai intercala a vida no mundo, conhecendo ambientes e pessoas, e a vida selvagem no alaska, de caçar, comer, ler, e etc.

me parece que para sean pen chris é feliz na sua viagem, e só percebe isso tarde demais, no alaska, quando não é capaz mas de voltar, e nao sei se realmente o fez, escreve em um livro "happiness only real when shared". antes de entrar in the wild chris conclui para ron que a verdadeira vida, ou felicidade [posso estar distorcendo a verdadeira fala], experiencia de vida, é a natureza que deus pos a nossa volta.


terça-feira, 13 de setembro de 2011

cowboys & aliens

é um bom filme. eu me diverti assistindo, mas não é profundo.

destrinchando:
é possivel identificar o filme como uma homenagem ao filme de cowboy, western, os bons mesmo com clint eastwood. ser uma homenagem quer dizer que o filme inclui uma pequena cidade, ouro, minas, procurados, ladroes e indios. há pequenas viagens, emboscadas acampamento e canions. um pouco de tudo que há em filmes western.

a diferença é que colocaram tudo isso lutando contra os aliens. o que pra mim foi uma ideia muito boa, ninguem nunca fez um filme com alien e cowboys! entao eu gostei dessa ideia e tal, mas eh raso né, nao dá pra se dedicar o suficiente a raça alienigena quando voce tem tantas outras coisas pra explorar também. ainda mais depois de tanto filme de alienigena e de district 9 que me vem a mente agora, até super 8 tem dificuldade no enriquecimento do personagem alienigena e suas vontades e aparencia.

então o alienigena tem uma tecnologia legal, um predio que se camufla bem com os canyons na minha opinião, e aquele desejo basico de colonização parasitária.

a atuação de craig tá aceitavel, harrison tá muito legal no papel mais pro começo do filme, e olivia wilde tá uma folha de papel pinheiro, dura, opaca, inexpressiva.

SPOILER ALERT

os ETs tem umas naves que parecem caças, e voam muito semelhante a caças, então pra mim seria muito legal se esses ETs fossem uma raça derivada do humano no futuro, e sua viagem espacial os fez viajar no tempo. ia ficar beeem semelhante a Planeta dos Macacos na ideia, mas explicaria muito e seria bem interessante. mas a anatomia do ET impossibilita essa ideia, é aquele etezinho meio grande, meio rapido, meio rastejante, meio insectoide sabe, que tem aquela armadura natural, e um rosto dificil de entender e sao todos escuros cor de barada cascuda. entao aquele padrao de ET bem médiozinho. deu pra entender?

Olivia Wilde é uma alienigena de outro planeta que foi consumido pela raça alienigena inimiga. ela tem a capacidade de tomar formas, por isso toma a forma de uma mulher gostosinha, mas que nao escolheu muito bem as vestimentas, e se chama de Ella, que curiosamente é falado "ela" quando eu supunha que "ella", a pronuncia em espanhol, seria mais adequada, afinal eles estão em terreno recem dominado do méxico. a não ser que seja escrotisse dos personagens de propositalmente desrespeitar o espanhol, se não, não entendi mesmo.

agora, se esses etc vao minar a terra toda por ouro, q se for a unica razão pra vir aqui é muito tola, porque eles só tem uma nave? mineiradora/perfuratriz/campo de prisioneiros/pesquisa cientifica nos habitantes locais...

entao pra mim, ou é uma raça nomade flutuando no espaço que está prestes a deixar de existir, e por isso eles só tem uma nave, oooou eles são uma super raça, com capacidade de mandar uma minifabrica atravez de atmosferas e do espaço sem problemas, o que quer dizer pra mim que: num planeta distante, eles recebem os ultimos relatorios de uma nave que estuda determinado planeta, e nao recebem mais nenhum relatorio. então decidem investigar, como, mandando mais umas boas naves pra dar uma sacada e estar preparado pra qualquer merda, e ai quando eles virem que um bando de selvagens pipocaram a navezinha mineradora deles, eles vão descer com a porra toda e detonar os cowboys com todas as armas laser que poderem atirar, então esse filme acaba com os alien explodindo no lançamento da nave pra ir embora, mas esse história acaba mesmo com a raça humana quase extinta, criada para escravização enquanto seu mundo tem recursos.

ou isso ou a raça de Ella, wilde, era uma raça muito lixinho belicamente. mas é como a propria ella disse, os ets nao estavam preparados para um ataque humano. entao pode crer, umas navezonas vao voltar com tudo pra pipocar esses humanos.

na verdade todo o destino dos ocupantes dessa nave alienigena dependeu de um trabalhador que não seguiu instruções basicas de segurança. ele estava lá num dia rotineiro na sua sala com varias mesas cada uma com um humano pra dessecar. ao terminar com um humano ele vai pro outro, só que ai tinha um que tava acordado. e eu NAO SEI PORQUE nessa mesa o alienigena  1) decidiu não usar as travas de segurança pra prender o corpo do seu objeto de estudo; 2) decidiu tirar a sua arma superpoderosa estilo predador só que mais compacta, que nao atrapalhou ele enquanto ele furava o corpo anterior, do seu punho, de um de seus 4 braços, ou seja, não tava atrapalhando, só um bracelete, mas ele tirou, e colocou DO LADO do seu objeto de estudo que ele sabia que era uma raça belicosa inteligente. ai mo vei, o humano jake, daniel craig, pega a parada né e usa. e é só isso que torna os humanos capazes de ganhar dos ets.

END OF SPOILER ALERT

entao, com tantas observaçoes, é bom mesmo esse filme? sim. é bom pra rir um pouco e pensar em como podia ser melhor. habito de quem já jogou RPG e acha que um mundo de cowboys invadido por aliens seria um otimo tema para jogo. mas tinha que ser melhor explorado.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

trauma de ser velho

estava no trabalho conversando com um colega sobre a moto, e ele disse que tinha medo de morrer, nao com essas palavras, mas que via os acidentes e que para ele essas coisas eram desestimulantes, mas também nao usou essas palavras, e eu disse "eu nao tenho trauma de moto, tenho sim trauma de ser velho" ah foi isso, ele disse que tinha trauma de moto por causa dos acidentes que via.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

o que eu queria dizer sobre itamaracá mermo era

que esse fim de semana eu fui lá. mini viagem de moto. e espero que a primeira de muitas, e a menor de todas. iria com um grupo de pessoas, mas o tempo com muitas nuvens os desestimulou.

pra mim a grande questão de andar [de moto ou de bike] na chuva, é o momento de se molhar. e acho que é a mesma coisa com qualquer situação melequenta. no começo vc evita e nao quer se melar, no final a atividade consiste basicamente da diversão de se melar.
então, sequinho, em casa, nao dá vontade de sair na chuva, mas quando vc já está na estrada, e a chuva começa a cair você é obrigado a se molhar, e só no começo é ruim, depois você quer é que chova mais mesmo e que tenha muita poça no caminho pra se molhar mais.

fui só para itamaracá, tinha dado uma olhada de leve no mapa, o caminho é simples, as estradas sinalizadas o suficiente. durante o caminho choveu e fez sol, varias nuvens mas varios sois também, se você me entende, e quando eu cheguei lá eu tava todo molhado, completamente, menos a cabeça, que é umas das coisas que eu acho legal de andar de moto. vc pode se molhar, mas a cabeça sempre vai estar seca por causa do capacete, e antes de andar de moto eu nao tinha percebido isso, e tem umas coisas dessas assim simples que eu acho incrível.

o que estava acontecendo em itamaracá? o encontro nacional dos abutres, um motoclube. isso pra mim quer dizer que nao estava acontecendo nada na verdade. acho que era como um acampamento de congresso, tava todomundo lá, mostrando o melhor de sí e se relacionando, mas como eu não conhecia ninguem, pra mim nao tinha graça.

teve a graça de olhar um pouco as motos dos caras, tudo harley davidson, custom, uns triciclos, todomundo invocado, cara de mal, caveiras, de preto, tatuagens. mas até quando a gente vive algo ou apenas idolatra? eu percebi que as pessoas lá não eram muito sobre o llifestyle, mas mais sobre apenas o style, a pose. nao estou falando isso pra ofender, mas é como eu estive pensando no SuperCon; poucas pessoas ali estavam vivendo a vida, o estilo de vida, a maioria são pessoas normais que cultuam aquele estilo. e hoje em dia as duas coisas estão se confundindo.

então tinha uma galera lá que nao tava mais bolando de do mal, tipo, chegaram e tavam feito qualquer vô de férias, de samba canção e camisa, bem colorido e tal. o que é bom também pra ver que talvez quem cultua, quem imagina, não vê todas as faces, e que nesse caso a galera do mal tb gosta de dormir de pijama estampado. mas o que eu quero dizer é que tirando por mim, eu me sinto muito bem nas minhas roupas de aventura, que não tem um estilo muito grande em nada, mas quando eu chego ensopado de lama em casa com minha roupa molhada completamente eu continuo me sentindo confortável com aquela roupa, como se o que eu sou mesmo estivesse ali, em me molhar e me sujar numa trilha, mesmo que no começo eu nao estivesse querendo me molhar muito.

então eu parei minha moto ali e depois de um tempo e de ver que nao havia lojas ou capacetes bons a venda voltei pra perto da moto e perguntei a um abutre menos estereotipado o que acontecia ali, ele basicamente me disse que não acontecia nada, o que quer dizer que ele me disse o que acontecia, mas para mim aqueles acontecimentos não tinham importancia.

quando começou a fazer sol eu decidi que era hora de andar de moto de novo e aproveitar pra secar, pelomenos da cintura pra cima. itamaracá estava me decepcionando um pouco. sai da area do evento para o forte orange que era do lado. a 20 metros do forte orange começavam os bares pobres de praia, daqueles que destroem a paisagem. comecei a notar que itamaracá é uma regiam pobre do estado [como muitas outras] mas achei que por ser um lugar histórico seria tratado com algum respeito e preservação. nao. não dava pra ver a praia direito, nem o forte, eu dei uma volta nele de moto, por um lado que tem um caminho entre o forte e o mangue, e do outro lado dele mais bares. um pouco depois começam as casas de praia, que não sao grandes e super arrumadas nem nada, sao casas de gente simples, o que não é ruim, o ruim é que a magnitude do forte é nula naquele ambiente urbano, inclusive o lado mais interessante do forte eu achei que era atras, sem muito acesso.

o forte estava fechado.



ai eu notei também outra coisa: não sou feito para motos estradeiras, custom e tal, a primeira coisa que fiz ao sair da área do forte orange foi entrar na primeira a direita pra ver a praia, passando pelas ruas alagadas de barro e depois percorrendo a praia um pouco pela areia com a moto, isso sim foi divertido, e com outra moto eu nao poderia fazer isso.

depois de dar uma volta breve na praia eu peguei para a esquerda da estrada, porque vi uns ladeiroes de barro, do que seria a area residencial/favela de itamaracá. nessas atividades durante o dia eu reafirmei minha confiança em mim mesmo na moto, que haviam sido abaladas por uma queda besta, e simplesmente pela minha imaginação que nao estava concebendo certas situações, mas que quando eu enfrentei pareceram simples, e eu ri, não porque era fácil, ou porque não havia risco, mas porque eu podia fazer algo que na minha cabeça era mais assutador, e eu podia compreender e meu corpo responder as situações.

eu andei muito pelas ladeiras de barro, por onde deu pra andar, e cheguei num lugar de onde eu nao via mais nenhum lugar mais alto para ir, entao julguei ser o topo.

era alto e era um barranco,  talvez sofrendo de erosão, ao fundo a area residencial pobre, e a menos pobre perto da água, mais a direita estaria o forte.


o barro ai era muito fofo e escorregadio, tanto que quando tentei por a moto deitada o pé dela afundou no chao, entao tive que colocar num ponto mais inclinado de forma que ela ficou quase na vertical. nesse barro fofo a moto queria rodar mas nao ir pra frente, foi divertido, e foi como na praia, a moto samba um pouco, quer deitar a qualquer momento.

pra chegar nesse lugar havia uma descida e uma subida ingrimes e também de barro, na ida eu consegui sem problemas, mas na volta os proprios sulcos que as rodas da moto fizeram na ida me atrapalharam e eu cai de leve, segunda vez que caio em uma subida e que bom, porque deve ser a qued amais tranquila, em baixa velocidade e tal.

bem, ai eu andei muito, mais muito mesmo por essas partes de barro de itamaracá, me merdi e me achei e quase cruzei a ilha, mas desisti de tentar ate o fim cruzar mesmo porque nao sabia se havia estrada do outro lado do morro que estava, e ja estava me sentindo meio perdido, do tipo se eu pegar mais umas tres bifurcaçoes eu nao vou saber voltar, entao nao cruzei a ilha pelos morros.

pela parte civilizada tirei fotos de duas igrejas, porque lembrei do meu pai, que talvez não propositalmente, tira muitas fotos de igrejas.




não parei pra perguntar os nomes, mas, essas duas igrejas se encaixam bem na cidade e no contexto, ao contrario do forte e dos outros monumentos históricos que estão num limbo urbano de preservação e afastamento e obstrução.

na volta abasteci porque não fui com o tanque completamente cheio, e antes de sair completamente subi para a vila velha, que é uma subida da porra, suave e de paralelepipedo, mas longa. lá em cima nao passei muito tempo, a unica coisa de velha na vila era a igreja, que eu li sobre, na praquinha em portugues e in english, mas só lembro que foi construida em cima das ruinas de um forte, e que o mirante da vila velha não passa de um pequeno descampado atras da igreja, de onde é possivel ver a entrada do canal, e isso deve ter sido importante para os holandeses na época de dominação instável.



mas essa igreja que eu identifico como o unico elemento realmente velho da vila velha, com uma fachada até interessante, é destratada da mesma forma que o forte, por pequenas casas de venda de souvenirs, e com umas casas na frente e em volta, que tornam impossível vc dar uma boa olhada de frente pra igreja. apesar de ruim para mim, o visitante, a velhinha que mora na casa que dá pra frente pra igreja nao deve achar ruim, se ela for religiosa, o que achei que era, porque estava falando torrencialmente alguma coisa pra quem passasse ouvir.

sem mais o que ver eu desci rapido, mas tirei uma foto do meu retrovisor antes de chegar ao pé da estrada

quando passei pensei "pooo isso é bonito" e parei pra tirar a foto

a volta foi rapida como a ida, com menos chuva, e menos, porem também, motos indo e voltando, e acho que é isso que eu tinha a dizer, agora que não vem mais nada a dizer na minha cabeça.

mas o importante é que foi muito bom, muito divertido, e eu digo isso porque minhas observações podem aparentar o contrário, agora eu quero mais viagens e mais trilhas!

itamaracá

"itamaracá" tem um acento do tipo que eu nao gosto de escrever, mas é uma palavra que eu sinto necessitar do acento. "itamaracá" nao é feito um "não" que, no meu teclado, é ruim de acentuar, pela distância, dificuldade de acessar o acento enquanto escrevo. então é uma culpa do teclado mesmo, que nao foi feito pra uso de acentos*. ainda, "itamaraca" e "nao" nao sao como "distância" que é horrível de acentuar, mas distância é cruel, porque se eu nao acentuar, parece que estou dizendo "distancía", saca? e o computador também pensa assim, porque ele nao interpreta, então são essas palavras as que nao são subilinhadas pelo computador, que me preocupam profundamente na hora de escrever, nao acentuadas elas significam outra coisa.

*e um teclado que nao foi feito para o uso de acentos é uma coisa relativa. mas eu penso em muitas coisas as vezes como neurônios, nesse caso, nao é que o teclado tem uma combinação proibitiva de teclas que me impede de acentuar, é só que como em um neurônio, essas combinações nesse teclado por vezes nao geram um estimulo grande o suficiente para me fazer acentuar.

palavra boa de acentuar é o "é".