terça-feira, 16 de junho de 2015

não tem tapa na cara mais objetivo que ver seu cachorro se debatendo na propria merda e mijo no chão do lado da sua cama. é um chamado pra te tirar de qualquer idiotice que tava pensando e te por na terra, no prático e no que existe.

a casa parece um cenario de guerra, com escombros do que foi uma tentativa de alguma organização, e os sobreviventes que lá se abrigam chafurdando em busca de algo que se coma e se beba, um canto mais limpo pra dormir. mãe, irmã e tia, qualquer uma que entre ali vai suspeitar do descaso desse membro sem rumo da familia, que aparentemente abandonou a propria higiene. não abandonou mas talvez chegou perto. 

o animal a cada ataque convulsivo perde um pouco mais da sua personalidade. personalidade é uma caracteristica atribuida pelo humano que interage com o animal. o comportamento animal é incompreensivel. no máximo tentamos entender, nos acostumamos com o comportamento irracional caracteristico de um animal em particular. o mais consternante é ver esse comportamento irracional mudar.

um 'web-quadrinhista' polemico projeta que no futuro a criação de animais de estimação irá se equiparar com a escravização de humanos. se não é escravização ainda é algum tipo de condicionamento como sindrome de estocolmo. o homem ve o animal como se ele o adorasse, o animal sabe quem é a fonte de comida e quando ela está disponivel, sua vida depende disso. toda a vida do animal, alias, gira em torno da presença dos humanos que moram com ele. da mesma forma que quando você sai de casa pra cuidar da sua vida o cachorro para de viver pra você, ele para de viver, pra ele mesmo. nada pode fazer alem de esperar a chegada do sol da sua vida. uma estreita concepção de vida.

argos cagou forte hoje. a trivialidade da situação implica apenas que tenho que escolher, dormir cheirando uma merda fumegante, deixa-la secar onde está; ou limpar o mais rapido possível e tentar dormir um pouco melhor. 

ele acorda dos espasmos acostumado, não tenta inutilmente correr, já sabe que as patas traseiras não respondem de imediato, espera ofegante com a cabeça apoiada nas patas dianteiras, ofegando forte. não para de ofegar. o costume é por repetição, não por razão. quem volta é um animal cada vez mais selvagem. seu "rosto" mostra expressoes que conhecemos, mas nos momentos errados. é outro animal. levanta com fome, fareja todos os cantos, olha para mim esperando comida, falta muito pouco pra esse animal buscar formas mais proativas de se alimentar, ate onde a velhice permitir. já dei a comida da noite. decido não dar novamente.

havia algumas semanas que ele nao convulsionava, antes desse hiato quando sofria um ataque, tinha um padrão, que felizmente fazia o ataque acontecer fora de casa, onde a merda e o mijo poderiam decantar a luz do sol a distância dos meus sentidos. dessa vez ele correu pro lado errado quando o cronometro bateu no 10 segundos para a panela de pressão na sua cabeça estourar.

ironia: isolei a area para limpar, um cão feral, ou um bebe, ou ambos, se a cabeça desse animal carrega ideias, a ideia de estar distante de mim era insuportavel. veja e sabão em pó disolvem a merda em uma pasta rala, a vassoura piaçava homogeiniza a mistura que atinge uma cor esbranquiçada, o excesso de quimicos por centrimetro quadrado faz a area ficar mais clara imediatamente. esfrego o chão ao som dos ganidos de solidão do animal. idoso, desamparado. carente. 

e na minha cabeça, o que se passava? ironia: exausto da zuada, golpeio sua cabeça com um tapa. recua, senta em silencio, me olha sem compreender, obviamente sofrendo minha ausencia e agora a repreenção. imagino o choque da minha mao com sua cabeça sacudindo o tumor bem ali onde bati. se violencia é uma forma de comunicação, mesmo assim não há dialogo muito duradouro com um animal idoso, e ainda cujo cerebro já está sendo violentado por dentro constantemente por um cancer.

um dia imaginei que argos fosse meu retrato de dorian gray, absorvendo minhas doenças e meus pecados. hoje acho mais que estamos juntos afundando o barco da sanidade, (claramente um exagero)

me vejo escrevendo um email de suplicas de compreensão das minhas tribulações para minha mae enquanto levo roupas para a maquina de lavar. o mato que toma o quintal me lembra das reclamações desta com a minha assiduidade na limpeza deste. componho um email imaginário extenso. quero ser reconhecido, recompensado, aliviado de fardos, mas percebo o engenho do meu subconsiente, formulando todo um escandalo por coisa pouca. ainda assim desejo que cessem as cobranças, 

comparar vidas humanas é futil, vale lembrar, até onde buscar ser entendido também é? não dá muito pra entender outra pessoa alem dos termos da sua propria experiência e do que você absorve das dos outros. seu unico referencial é a si mesmo.

argos se mantem a 5 centimetros de mim o tempo todo, sempre que dá, na minha frente. geme em ganidos curtos, baixos e constantes, a ponta do seu nariz expandindo e voltando no ritimo do chororo e da sua respiração. irritante. sinto vontade de chutar. sei que não quero causar dor, nem acertar o animal. quero expelir de mim a frustração da mensagem não transmitida, da comunicação infrutifera, fazer isso da forma mais animalesca. ironia.

o chamado para a realidade é como um despertador, ou café, com o tempo você se acostuma e ele começa a surtir menos efeito, é como a ressaca moral pós embreaguez e gafes, a cada instancia menos efetivo, no momento que senti a merda em maos separando-me dela apenas pela fina camada de plastico do saco que usei, já tinha decidido que não iria ficar em casa, apos juntar um pouco de lixo espalhado pela casa que sei seriam alvo das farejadas do cachorro, declarei terminado o lapso de providencias domesticas, me vesti como se fosse pra o trabalho, que é o minimo de vestimenta para andar de moto mesmo. 

enquanto formulava narrativas sobre mim mesmo e cogitava se era melhor o presente ou o passado, a primeira ou a terceira pessoa, decidia também que iria sanar o desejo de comer alguma porcaria e encher o bucho para dormir, e ai talvez escrever sobre tudo que estava na cabeça. confort food. ou talvez apenas food. ou talvez apenas confort. a vontade de conforto entrou em mim no mesmo momento que a merda do cachorro saia. decidi que sair de moto era a unica opção, iria passar pela mcd ver se tava aberto, em seguida conferir os postos, por ultimo carlitos. iria parar no primeiro aberto.

alguns confortos se tornam estorvos, objetos desgastam, perecem, tem que ser trocados. o objetivo era comer, fui lembrado quando subia a ponte da torre da verdadeira liberdade de pilotar. meu trajeto faz uma curva espiral, que no final volta a origem como metade de um infinity loop. em cima da moto nenhum problema existe - é o que eu gostaria de poder dizer - corrigindo: em cima da moto todos os problemas se vão, exceto o medo de cair em um buraco. se existem estações em recife, essa é a estação de mais buracos. faço a grande curva de descer a ponte e passar por debaixo da mesma, sem me preocupar com carros e limites de velocidade, mas quando o reflexo me fez olhar o ponteiro nao estava muito acima de 60. na segunda curva, a mcd fechada. parei no posto, comprei confort food e comi, junto com red bull, que em nada me impediu de dormir mais tarde.

precisava era sair dali, e me impressiono ate agora, pois escrevendo descubro de novo quao inconciente é a vontade. "não aguento".

conforto é a palavra imperceptivel em torno da qual gira silenciosamente uma multitude de coisas do dia a dia. nos distanciando do nosso ser animalesco e abusando dos nossos sentidos. todo cachorro é um confort dog, voce quer ter aquele escrevinho sorrindo pra você feliz com sua chegada, dependente de você. eu ia continuar explanando os confortos, mas saciei minha vontade de escrever.

sábado, 6 de junho de 2015

o cheiro de látex na minha mão, sinto quando apoio a cabeça, completando o travesseiro para dormir em posição fetal. me lembra o mesmo cheiro que fica nas mãos quando se tira uma luva, exceto que no caso da luva há também talco e suor aumentando o atrito entre os dedos, enquanto no caso da camisinha fica uma viscosidade de lubrificante e fluidos corporais que quando seca forma as vezes umas bolinhas, "areia", "catota". vou acordar com o mesmo cheiro na mão, vou sentir o mesmo cheiro na cueca no outro dia.

desconcertado afasto a mao do rosto me pensando porque não lavei as mãos pra dormir, talvez porque não tomei banho também, queria ter escovado os dentes, e qual a opinião da mulher que nesse momento tenta ser a conchinha maior pressionando notavelmente seus seios contra minhas costas, que em momentos me chupou e deve ter sentido cheiro e gosto de borracha, qual a opinião dela, qual o gosto melhor, se há diferença, para que me chupe por mais tempo?

perguntas a cerca do gosto de camisinha, eu só as faria se não houvesse risco de chegar na informação que na verdade ela não gosta de chupar rola, o que no momento de franqueza só poderia levar a posição de não forçar ninguém a nada, nem ser levado a uma posição de dívida de favores sexuais. pensamento este que, dentre outros, me leva a uma comportamento de agir e receber ações sem pedidos, gratuitos, que pode até deixar uma sensação de troca, mas subjetiva, não quantificada, com interpretações livres.

estou sendo abraçado mas a mente agitada quer mover o corpo, quero pegar o celular, pego, configuro o despertador e guardo, não gosto da luz do celular no meu rosto quando uma nega fica no celular na cama. ser consumidor passivo dessa luz é mais incomodo que fumar passivamente. ela pede o celular dela também, minha atitude a fez lembrar algo, merda, o celular dela faz barulho, além da luz, barulho de teclas, de abrir e fechar, hahaha, mas ela é rápida.

quero me mover, estou sem sono, tem poucas horas para o dia começar e eu ter que me levantar, preciso jogar algo para dormir, penso, antes de quase imediatamente cair no sono.

em vinte e cinco minutos o que há entre os seios e as costas é suor, uma parte quente de uma cama resfriada apenas pelo ventilador e o clima de chuvas fortes. mudamos de lado juntos, trocando as conchas e sentindo nossos lados frios se aquecerem, e vice versa. gosto de ser a concha menor quando ela dorme segurando minha rola, quando sou a maior, seguro a maior quantidade de peitos possível. em breve acordarei, terei que me levantar. farei café e sentarei na privada com café numa mão e celular em outra, escreverei começando com as palavras que me vieram quando senti o cheiro na minha mão. perceberei que ainda não lavei e aí levarei e limparem o celular para poder continuar, limparei um dente especialmente sujo com a unha, tentando equilibrar doses de café e doses de escrita, perceberei que meia hora passou e o famigerado último gole está frio, tomarei, me levantarei e me deitarei no chão com a cabeça borbulhando, me concentrando em não mover a perna esquerda, que ficou formigando muito por passar meia hora sentado sem nem mais cagar, esquecido de tomar banho e de escovar os dentes e pensando se passar muito tempo sentado na bacia dá hemorróidas como dizem.

terça-feira, 26 de maio de 2015

observação de um cachorro que morre

essa semana argos deu um passo visível rumo a demência, a velhice. 

apesar de mais fraco do que já foi, está cada vez mais feral, mais resoluto em obter comida a todo custo, menos "obediente". é incrivel como — eu acredito que as expressoes faciais dos animais não expressam o mesmo que nós humanos expressamos, em grande parte, mas são meros artificios de sobrevivencia, carregados pelos animais de sucesso na procriação — é incrivel como é possível ver no rosto dele um pouco do que se passa na cabeça dele, e como ele está diferente ou muda, de uma hora pra outra.

tem o rosto que me reconhece, pescoço levantado, olhando no meu rosto, com olhos bem abertos, orelhas levemente levantadas e o nariz começando a farejar, buscando meu cheiro. tem o rosto do desconhecido ou desafetuoso, que vem com o pescoço rente ao corpo, olhando em frente e deixando passar batido a minha presença ou outras coisas que costuma interagir. as vezes os musculos da face estão mais neutros, dando aquela sensação de moleza, de falta de expressão, pele sobrando, outras ele tá ligado, rosto jovem, pele esticada, musculos trabalhando.

a casa as vezes é familiar pra ele, as vezes é desconhecida. chega a se levantar pra reexaminar o espaço, como se o lugar tivesse mudado completamente e de repente, e acho que é exatamente assim que o cerebro e sentidos dele estão funcionando, cada vez menos fidedignos a realidade.

o mais significativo, sua atitude sincera, descarregada de tudo que aprendeu esses anos, carregada de inocencia novamente. ao abrir a porta agora, o cão que se recusava a sair a não ser que estivesse de coleira, sai tranquilamente, rumo desconhecido, como se nunca tivesse feito de outra forma.

infinite jest: sensible front matter

I just opened a book bought in 2013, left as tsundoku, for two years, no less. since the acknowledgement of the Japanese word to describe piles of bought and never read books, an effort is being made by me and a friend to stop this nonsense of nonreading.
infinite jest is the chosen, and no further then the front matter I have read, yet here is the urge to share my awe.
the back of the title page feels personal, as if (I don't know) written by foster wallace himself, with witty additions and remarks to the usual regular disclaimers.
the publisher also has the sensibility to say "paper from well managed and responsible sources" way better than the broad sense and amply misused "sustainable" or "green".

that's how an exciting and good book should start.

terça-feira, 19 de maio de 2015

o cachorro levanta alerta com uma cara de que tem algo muito estranho acontecendo. levanta a orelha direita até onde dá como se tivesse franzindo o rosto. ele está procurando algo, sai correndo, não num pinote cavalar, mas num trote. passa pela grade e desce as escadas em urgencia, a procura. não fareja. é perseguido por um homem que se levanta cansado, triste com o que está prestes a acontecer. o cachorro não encontra, para sua caçada no quintal. anda em circulos em sentido horário, sempre olhando para a direita. suas traseira perde a força, ele senta olhando para a direita com o corpo rigido, suas unhas tentam se cravar no chão, uma tremedeira incontrolavel se torna aparente, desce da cabeça para as pernas, o cachorro não consegue ficar mais em pé, cai para seu lado esquerdo. é carregado pelo homem, enquanto a tremedeira intensifica, como se estivesse correndo a toda velocidade, as patas se movem. a respiração se torna um rosnado constante. dentes a mostra, saliva. urina. fezes.

o homem segura o animal proferindo palavras em tom de calma e reconforto, acaricia o cachorro enquanto impede que sua cabeça e membros batam no chão com violência, e aguarda.

o cachorro acorda, tenta se levantar, mas as patas cedem, se situa, familiarizado com a situação recorrente. fica onde está. se não escuta mais, sente o homem do seu lado. quando as pernas recobram as forças se levanta, anda batendo pelos cantos, sem direção. ignora e até tropeça na sua agua e sua comida, até percebe-los. come, bebe, volta a dormir.


1 vez por dia, tomando 200mg de gardenal e 1 comprimido de gabapentina por dia.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

2014 08 18 convulsao


argos acabou de ter uma convulsao.
estava vendo filme e ouvi um barulho. achei brevemente que era um daqueles sonhos onde ele estaria corredo atras de algo.

pedalando, boca travada e babando espuma, chao molhado. fazendo algum barulho esquisito. olhos abertos, pupilas dilatadas em direcao ao nada.

fiquei desesperado. o pus em meu colo, tentei em vao abrr a boca dele com medo que sufocasse. ainda bem que nao consegui. chamei minha vizinha para ajudar, ligar para minha irmã. 

argos parou de tremer, lavei meus bracos e ele comecou a tentar se levantar. passou um bom tempo desnorteado, rosnou e latiu para minha vizinha e para mim algumas vezes mas me reconhecia logo em seguida. 

enquanto tentava acalma-lo pesquisei os sintomas na internet e vi que se tratava de convulsao. desfiz os chamados de ajuda a todos que envolvi, pela dificuldade de se encontrar veterinarios essa hora, deixando para ir no vet com ele no próximo dia. 

ficou andando em circulos em volta de mim e nao aceitava agua. finalmente deitou no chao, fiquei sentado ao lado dele ate decidir abrir um colchao para deitarmos juntos. 

abri o colchao e pus comida para ele. ele se animou bastante, comeu, bebeu bastante agua, se levantando algumas vezes para isso. deitou chorando um pouco mas logo se aquietou. agora achou uma posicao boa e dorme do meu lado. 

terça-feira, 1 de julho de 2014

jejuo na labuta. constante descaso pessoal. seria leviano culpar apenas os horários de trabalho a falta de comida em casa.

penso que não seria difícil jejuar durante o ramadam. lembro do aluno de inglês que se converteu ao islam por opção, making a big deal sobre estar jejuando. não fiz a coisa toda de jejuar até o anoitecer, mas também não tenho um banquete para quebrar o jejum me esperando em casa.

meager rations.


sexta-feira, 27 de junho de 2014

sistema

o sistema trava. a tela diz "aguarde". sequer a tela de espera carrega completamente.
o gosto de café remanescente no fundo da língua. a mandíbula levemente solta. as pálpebras cerram os olhos. a cabeça pende levemente para frente.
o sistema carrega. mais lento que meu cérebro em parcial alerta, consigo ver a página sendo formada a minha frente. primeiro molduras, formas, css, em seguida texto, por último, menus. como uma imagem carregando em conexão discada. mas é 2014.
abro os olhos. corrijo a postura. a perna esquerda incomoda, dobrada abaixo da cadeira, demasiada baixa para meu 1,93 metro. dou um alt+tab. confiro o nome do cliente entre sistemas. "inputo" (jargão corporativo) informação em planilha de excel. "entregue ao destinatário".

ctrl+c, alt+tab, ctrl+v, enter. "aguarde".
copiei o valor errado. clico no campo em vão. "aguarde".
alt+tab, ctrl+c no valor correto. 4 dígitos, uma nota fiscal.
alt+tab, "sua busca não retornou resultados". clico no campo, ctrl+v, enter, "aguarde".
alt+tab, alt+tab, alt+tab, alt+tab, "aguarde".
mudo as pernas de posição. o gosto amargo se abranda com a água que bebo. bocejo.

o processo de input e espera se repete.
punhos, joelhos, vertebras, falanges, tomam seus tempos em rangidos e estalos.
a mesa baixa oferece a posição debruçado à mesa ou reclinado na cadeira.
entre input e espera a mente vaga, as mãos pesam os olhos piscam lentamente.

abro o blog. escrevo para despertar. paralelamente o sistema solicita que aguarde.
me percebo com a garra pesada sobre o teclado, quase pressionando o alt+tab, o botão esquerdo do mouse ainda clicado. cabeça inclinada para frente, diafragma pressionado pela postura. respiro fundo.

apenas sonhei que escrevia.

domingo, 21 de julho de 2013

rapidamente em direção ao inesperado

é incrível como no mundo existem coisas que não concebemos e sequer compreendemos.
essa foi a progressão da "viagem" de hoje:

1 Space Oddity por Chris Hadfield. [eles sempre parecem estar de cabeça pra baixo. simplesmente pelo fato da pele voltar a posição "normal" sem ser puxada pela gravidade.]
o video filmado na ISS pelo Comandante Chris Hadfield, cantando e tocando Space Oddity, de David Bowie, com letras levemente alteradas para sua realidade. incrível, sensível, tocante. não há o que dizer sobre a capacidade de levar homens ao espaço, a grandiosidade disso, e ao mesmo tempo eles se comunicarem conosco, com todos, e compartilharem hoje os meios de comunicação, como iguais, também grandioso esse alcance.

fiquei pensando em Chris Hadfield e sobre como ele deve ter se dedicado para chegar lá, visto que ele celebrou o aniversario de 44 anos da chegada do homem a lua, e como isso o inspirou a ser como ele é. notei que todos os humanos são capazes. que eu sou capaz. só falta o objetivo claro, para guiar meus esforços, como os esforços de Hadfield devem ter sido guiados pela sua inspiração.

dentre os videos sobre a vida no espaço,  um deles é sobre reaprender a tocar violão sem os efeitos da gravidade.

2 Failure de Kings of Convenience estava na minha cabeça mais cedo. diretamente relacionado ao fracasso com a ex-namorada.
3 Treasure de Bruno Mars [o resto do cd nao parece tao bom] aparece na timeline de facebook. muito legal, e dela vou para
4 Rock with You de Michael Jackson. procuro uma imagem de boa resolução daquele movimento que ele faz com os pes para dentro, nao tem, só com 400px. mas nada superará a vontade de michael jackson de querer SER a bola brilhante de festa.

Naturalmente eu ainda li bastante e escutei bastante sobre essas musicas, para conhecer mais.

5 awereness da palavra cisgender, e do uso do prefixo "cis".

quem passear demais pela internet acabará vendo algo que nao lhe agrada. algo inconcebivel, algo impensável. não é a desconstrução da lingua portuguesa escrita, nem o mau uso de acentuação, nao.
dentre as coisas mais dispares que ja me deparei está o cenário de body modifications.
6 chego em Body Integrity Identity Disorder
7 auto amputação, não vou por links de gente fazendo isso.
8 revista séria sobre o assunto de body modification, em uma enorme gama, do mais simples ao mais extremo, link para a parte de amputation

9 Alan Macias, um cara com tatuagens e amputations extremas.
voce ve que o que tá rolando aqui é uma revista, uma publicação, levando o assunto a sério. pessoas sendo entendidas e se respeitando na area dos seus desejos de fazer o que querem com o corpo. mesmo que seja uma disorder, ninguem parou muito pra por em pauta os motivos, a hora pra os motivos é outra, aparentemente. talvez eu me impressione porque vivo no brasil, onde se briga e discute e talvez se fossemos menos preguiçosos, se guerreia por muito menos. ai me pego chegando em assuntos que desse ponto de vista parecem totalmente absurdos, sem pé nem cabeça, as eh realidade, tá ai, tem gente assim, e o respeito e a seriedade e a mente aberta é lindo. eu não tenho que parar para cogitar nem julgar se ta certo ou errado ou o q quer que seja, se é feio ou bonito, o que importa é que tá acontecendo.

de alan macias, um cara que terminou amputado por causa de um acidente de moto, vamos a
10 Tegumai_b um cara que decidiu não ter mais o pé esquerdo e é feliz com a decisão. tá na revista do body mod, bme, se vc pegou o link acima e continuou folheando as noticias. ele sabe que é BIID. sem palavras.

o que eu ia dizer aqui eu esqueci, eu só pensei, depois de ver isso: um dia [quiça num futuro muito proximo, e talves a minha vida toda] vai ter gente ao alcance dos meus ouvidos conversando sobre o certo e o errado, o que pode ser feito ou não, gente ficando revoltada com gente que quer ser gay, ou quer ser bi, ou quer ser diferente da sociedade, da "norma" de alguma forma e eu vou me remeter as ideias que estao aqui nesse post hj, não vou saber referenciar na conversa, talves só fique calado mesmo, ou saia de perto.

eu não sei nem como explicar.


quinta-feira, 4 de julho de 2013

vale a pena ver isso tudo pra saber se vale a pena?

o artista [?] randall munroe é criador da webcomic xkcd onde um dos seus temas recorrentes é o uso do tempo. aqui vai a ultima tirinha:

http://www.xkcd.com/1205/

uma tabela sobre quanto tempo voce pode gastar otimizando uma tarefa, antes desse tempo não compensar mais na economia de tempo da tarefa em si.

esse é um tema muito interessante já que hoje em dia há uma tendencia a fazer o maximo para economizar; tempo ou dinheiro, quando na verdade o tempo perdido em busca de economia pode ter sido maior do que valia a pena gastar.

aqui vao outros conteudos do artista[?] sobre o assunto:

http://www.xkcd.com/974/

http://www.xkcd.com/951/


a tirinha 951 resume tudo de uma forma muito simples: se voce gastar nove minutos do seu tempo para economizar um dolar voce está trabalhando por menos que um salário mínimo. em outras palavras, basta, quando se perceber nessas situações de barganha, parar pra pensar se o dinheiro que voce está economizando pagaria sua hora de trabalho (incluindo combustivel do carro e o que mais for).

não seria comico se não levasse ao ridículo, então ai vai mais uma, levando tudo isso ao extremo:
http://what-if.xkcd.com/22/

mais informações e debates sobre os quadrinhos e obra de randall em: explain xkcd